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EUA concentrarão esforços de combate ao terrorismo em grupos de esquerda, diz Rubio

Governo Trump quer incluir organizações de extrema-esquerda no centro da estratégia global de contraterrorismo e anuncia novas medidas

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que chefia a diplomacia do país  (Kent Nishimura/AFP)

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que chefia a diplomacia do país (Kent Nishimura/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de julho de 2026 às 18h10.

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Os Estados Unidos pretendem ampliar a cooperação internacional de contraterrorismo com foco em grupos classificados pelo governo como de extrema-esquerda. A proposta foi apresentada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, durante uma conferência realizada em Washington nesta quinta-feira, 16, com a participação de representantes de mais de 60 países.

Na avaliação de Rubio, a cooperação internacional conseguiu reduzir de forma significativa a ameaça representada pelo militantismo islâmico. Segundo ele, a violência praticada por grupos de esquerda passou a ocupar um espaço negligenciado nas estratégias de segurança e exige uma reorganização da arquitetura global de contraterrorismo. O secretário afirmou que essas organizações atuam de forma transnacional, têm como alvo políticos e infraestruturas do Ocidente e compartilham uma agenda de hostilidade contra países ocidentais.

A iniciativa representa o movimento mais amplo do governo de Donald Trump para incorporar essa prioridade à agenda internacional de segurança. A estratégia, no entanto, tem sido questionada por críticos, que afirmam não haver evidências suficientes para justificar a mudança de foco das políticas de contraterrorismo.

O presidente Donald Trump já havia colocado o combate a grupos de esquerda entre suas prioridades políticas. Durante a campanha eleitoral de 2024, ele direcionou críticas ao movimento Antifa e prometeu endurecer as ações contra organizações que, segundo sua avaliação, estimulam episódios de violência. A pauta ganhou novo destaque após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, aliado do presidente.

Como parte dessa estratégia, o governo promoveu, em maio, um workshop voltado à atuação das forças de segurança diante de grupos de extrema-esquerda. Rubio informou que uma nova edição do encontro será realizada em parceria com a Alemanha.

Durante a conferência, a ministra das Relações Exteriores da Letônia, Baiba Braze, afirmou que o evento também abriu espaço para discutir ameaças ligadas a grupos apoiados pela Rússia e o impacto das novas tecnologias nos processos de radicalização. Segundo ela, o ambiente extremista atual reúne diferentes correntes ideológicas, que utilizam ferramentas digitais para recrutar e mobilizar simpatizantes.

Lista de organizações terroristas

Desde novembro, o governo norte-americano incluiu quatro organizações europeias — Antifa Ost, Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, Justiça Proletária Armada e Autodefesa de Classe Revolucionária — na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. Washington também passou a oferecer recompensas de até US$ 10 milhões por informações relacionadas ao financiamento desses grupos. Rubio afirmou que novas designações deverão ser anunciadas.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que a pasta ampliou investigações sobre o uso de entidades beneficentes e organizações sem fins lucrativos para ocultar influência estrangeira e financiar atos de violência.

A mudança de estratégia provocou reação entre parlamentares do Partido Democrata. Em carta enviada a Rubio, 11 congressistas questionaram as bases técnicas da nova política e criticaram a estratégia nacional de contraterrorismo divulgada pela Casa Branca em maio, destacando que o documento não faz referência a grupos neonazistas ou de extrema-direita.

Os parlamentares afirmaram que a classificação de organizações de esquerda como terroristas pode criar riscos para manifestações legais e atingir opositores políticos. No documento, eles defendem que a política de contraterrorismo permaneça baseada em critérios técnicos, evidências e dados, sem influência de disputas partidárias.

Entre os signatários da carta estão Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, e William Keating, integrante da subcomissão responsável por assuntos relacionados à Europa. O Departamento de Estado não comentou o conteúdo do documento.

Também presente na conferência, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, fez críticas aos manifestantes ligados ao Antifa. Em seu discurso, afirmou que integrantes desses grupos são motivados por "inveja e ódio" e utilizou comentários sobre sua aparência física e comportamento.

Rubio voltou a citar episódios de depredação e saques registrados durante os protestos desencadeados pela morte de George Floyd, em 2020, como exemplos de violência atribuída à extrema-esquerda. O secretário também declarou que pesquisadores e jornalistas compartilham, com frequência, objetivos defendidos por esses grupos.

O chefe da diplomacia norte-americana ainda afirmou que organizações de esquerda mantêm relações com Estados considerados hostis pelos Estados Unidos. Como exemplo, mencionou supostos vínculos entre redes ligadas ao Irã e grupos militantes de esquerda em diferentes países, sem apresentar evidências públicas para sustentar a afirmação. Rubio também acusou o governo de Cuba de contribuir para a formação da extrema-esquerda nos Estados Unidos, igualmente sem divulgar provas que embasassem a alegação.

Comando Vermelho e PCC

Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a inclusão das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) em suas listas de organizações terroristas. A classificação passará a valer em 5 de junho.

De acordo com o governo americano, os grupos receberão as designações de Specially Designated Global Terrorists (SDGTs), categoria aplicada a indivíduos e organizações submetidos a sanções dos Estados Unidos, e de Foreign Terrorist Organizations (FTOs), classificação destinada a entidades estrangeiras consideradas envolvidas em atividades terroristas.

Em comunicado, Washington afirmou que CV e PCC estão entre as principais organizações criminosas em atividade no Brasil. Segundo o texto, as facções reúnem milhares de integrantes e são apontadas como responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.

O governo dos Estados Unidos também afirmou que a atuação dos grupos ultrapassa o território brasileiro e se estende a outros países da América Latina e ao próprio território americano.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de financiamento de narcoterroristas violentos”, diz o texto do Departamento de Estado.

A decisão do governo Trump ocorre dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, que afirmou ter pedido ao republicano para declarar o PCC e o CV como organizações terroristas.

"Ao contrário de Lula, pedi a ele [Trump] que declare as facções como terroristas", disse Flávio, em entrevista coletiva após a reunião com o líder americano, feita na Casa Branca nesta terça-feira, 26.

"Pedi enfaticamente que designe o quanto antes PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras", prosseguiu.

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