O Irã enfrenta uma inflação anual de 42%, enquanto a taxa em dezembro ultrapassou os 52% de alta (ATTA KENARE / AFP)
Redação Exame
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 14h25.
Após o quinto dia de manifestações em diversas cidades do Irã, mais de sete pessoas morreram e outras 119 foram detidas, segundo a ONG de direitos humanos Hrana. Os protestos são motivados pela piora na situação econômica no país.
Nesta sexta-feira, o presidente americano Donald Trump afirmou que pode reagir se o governo do Irã seguir usando violência letal contra os manifestantes. Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que os EUA estão "prontos para agir" se protestos pacíficos forem reprimidos com a morte.
Em resposta, o governo do Irã afirmou que qualquer intervenção americana ao país será cruzar "uma linha vermelha". Teerã prometeu uma resposta caso uma interferência externa aconteça.
De acordo com o levantamento da Hrana, ao menos 33 pessoas foram feridas durante as manifestações.
As últimas vítimas morreram na noite desta quinta-feira, 1º, após um protesto em frente a uma delegacia de polícia em Azna, na província de Lorestan. Três pessoas, incluindo um adolescente, morreram, enquanto outras 17 ficaram feridas, afirmou a ONG.
Agências de notícias iranianas ligadas à Guarda Revolucionária afirmaram que os manifestantes entrarem em confronto com policiais após atacarem a sede da polícia e incendiarem viaturas.
As manifestações tiveram início no domingo, 28, em Teerã, mas já ocupam as ruas de diversas cidades, como Isfahan, Kerman, Kermanshah e Hamadan.
Além das críticas à situação econômica, os protestos pedem por mudanças políticas, como o fim da ditadura e o retorno à monarquia.
O Irã enfrenta uma inflação anual de 42%, enquanto a taxa em dezembro ultrapassou os 52% de alta em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além disso, as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU por conta do programa nuclear iraniano ainda causam uma desvalorização constante no rial, moeda local.