Os investimentos em infraestrutura ocorrem em um momento de retomada gradual do setor (GIL COHEN-MAGEN/AFP/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 14h02.
A demanda crescente por voos comerciais e a meta de atrair mais visitantes estrangeiros levaram o governo israelense a aprovar a construção de um novo aeroporto no sul do país. A decisão foi apresentada neste domingo pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante reunião ministerial, conforme informou seu gabinete.
A nova estrutura será instalada na zona de Siclag, localidade de origem bíblica situada no deserto do Neguev, próximo à cidade de Beersheba.
A escolha da região não é apenas logística: Netanyahu aposta no potencial do empreendimento para alavancar o turismo, gerar postos de trabalho e melhorar a acessibilidade em uma das áreas mais pobres de Israel. Dados do Instituto Nacional de Seguros indicam que a taxa de pobreza no Neguev chegou a 22% em 2024.
A população beduína (árabes muçulmanos com cidadania israelense), estimada em 300 mil pessoas, é a mais atingida pelas dificuldades socioeconômicas locais. Nos últimos meses, o governo intensificou ações para reduzir assentamentos informais e incentivar a fixação da comunidade em áreas urbanas planejadas, dentro de uma política mais ampla de reorganização territorial.
O projeto no sul não é o único em estudo. Netanyahu também anunciou planos para a construção de um aeroporto no norte, em Ramat David, ampliando a malha aérea doméstica.
Atualmente, o país opera com o Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, como principal porta de entrada, além das unidades de Ovda e Eilat-Ramon, no sul, e dos aeroportos regionais de Haifa e Rosh Piná.
Os investimentos em infraestrutura ocorrem em um momento de retomada gradual do setor, fortemente abalado após os ataques de outubro de 2023. Naquele ano, Israel recebeu cerca de 3 milhões de turistas. Em 2024, o número despencou para 960 mil. No ano passado, houve uma leve recuperação, com 1,3 milhão de visitantes, de acordo com o Ministério do Turismo.
Para acelerar essa recuperação, o governo tem adotado medidas como a reabertura de rotas aéreas internacionais, a contratação de influenciadores digitais para campanhas promocionais e a negociação com seguradoras para ampliar a cobertura de viagens.
A flexibilização de restrições sanitárias e de segurança também entrou na estratégia oficial para transmitir uma imagem de estabilidade.
No entanto, o contexto geopolítico ainda impõe desafios. Desde o início da trégua com o Hamas, em outubro passado, as Forças de Defesa de Israel realizaram operações que resultaram na morte de mais de 600 palestinos e deixaram cerca de 1,6 mil feridos, segundo registros locais.
A possibilidade de um ataque dos Estados Unidos contra o Irã, com potencial envolvimento israelense, mantém o setor em alerta e pode comprometer os avanços pretendidos.