Redação Exame
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 11h06.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse nesta segunda-feira, 5, que gostaria de uma resposta "mais dura" da União Europeia (UE) ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela e à captura de Nicolás Maduro.
Albares pediu um "rearmamento moral" dos princípios democráticos diante deste precedente "perigosíssimo".
Em entrevista à emissora de rádio “SER”, Albares afirmou que a Espanha está liderando a posição mundial em resposta à operação americana, referindo-se ao comunicado divulgado neste domingo por Espanha, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai, e ao da UE, cujos dois primeiros parágrafos, "muito claros e contundentes" sobre o respeito ao direito internacional, levam o "selo espanhol", segundo o ministro.
Albares também disse não ter tido contato com a administração americana, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, desde que a intervenção dos EUA na Venezuela foi desencadeada no sábado.
A operação surpreendeu o governo espanhol, embora o ministro tenha exposto que já observavam há algum tempo um deslocamento do Exército americano "de amplitude enorme" na região, o que permitia prever algum tipo de ação.
O ministro também assinalou que não teme qualquer represália por parte dos Estados Unidos diante da rejeição frontal do Executivo espanhol ao ataque à Venezuela, e assegurou que falarão com a vice-presidente executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu a liderança do Estado e a quem Washington deu seu aval por enquanto.
"Estamos nos dispondo a falar com Delcy Rodríguez", afirmou Albares, ao ressaltar que a Espanha possui diversos interesses na Venezuela, inclusive empresariais, além de uma comunidade de cerca de 200 mil espanhóis, e que também busca a libertação de todos os presos políticos espanhóis no país caribenho.
*Com informações da EFE