Claudia Sheinbaum, presidente do México, durante entrevista coletiva (José Méndez/EFE)
Repórter
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 11h57.
O México aprovou nesta semana uma nova lei que reduzirá para 40 horas a carga semanal de trabalho, no modelo de escala 6x1, com seis dias de trabalho e um de descanso por semana.
Com previsão para ser implementada inicialmente no ano que vem, a mudança irá gradualmente diminuir a carga horária em duas horas por ano até que chege nas 40 horas em 2030, beneficiando 13,4 milhões de trabalhadores. Por outro lado, a lei também prevê um aumento das horas extras semanais.
A reforma foi proposta em dezembro pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e ganhou considerável peso político desde então. "Após mais de 100 anos sem mudanças, o México eliminará gradualmente a semana de trabalho de 48 horas", escreveu o Ministério do Trabalho do México no X, antigo Twitter, na madrugada de quarta-feira.
Com mais de 2.226 horas de trabalho por pessoa por ano, segundo a Reuters, o México, que é a segunda maior economia da América Latina, tem o pior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal de todos os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês), um órgão internacional que reúne 38 democracias com economias baseadas em mercados do mund todo. Isso colocaria o México à frente de países famosos por terem esse tipo de problema, como o Japão e a Coréia do Sul.
Com cerca de 55% da força de trabalho operando no setor informal, o país também tem a produtividade e os salários mais baixos dentre os 38 membros da OECD.
A Câmara dos Deputados mexicana aprovou ontem a proposta, com apoio unânime de todos os 469 congressistas presentes, de 500 possíveis. O debate sobre as particularidades e pormenores da lei resultou em uma aprovação com 411 votos a favor, após um debate de 10 horas, caracterizado por fortes críticas contra a medida pela oposição.
"A produtividade não se mede pela exaustão. Ela se constrói com dignidade", afirmou o deputado Pedro Haces, representante do partido governista, Morena, que também atua como secretário-geral da Confederação Autônoma dos Trabalhadores e Empregados do México.
O maior ponto de contestação dos congressistas opostos aos detalhes da lei é de que a medida não resultará em uma redução real da carga trabalhista semanal pois aumentará as horas extras de cada semana para 12 horas, das atuais nove, e não incluirá dois dias de descanso nos finais de semana.
"A ideia da reforma não é ruim, mas está incompleta e foi feita às pressas", disse à Reuters Alex Dominguez, deputado do partido de oposição PRI.