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Em meio a impasse com Irã, Trump acompanha UFC em Miami e elogia brasileiro

Presidente dos EUA acompanhou a luta de Paulo Borrachinha enquanto as tratativas por cessar-fogo, conduzidas por JD Vance, fracassavam no Paquistão

Enquanto negociações entre EUA e Irã fracassavam, Donald Trump assistia ao UFC e interagia com lutador brasileiro (JIM WATSON/AFP)

Enquanto negociações entre EUA e Irã fracassavam, Donald Trump assistia ao UFC e interagia com lutador brasileiro (JIM WATSON/AFP)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 12 de abril de 2026 às 10h51.

Última atualização em 12 de abril de 2026 às 10h53.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhou um evento do UFC em Miami neste sábado, 11, enquanto as negociações por um cessar-fogo entre Washington e Teerã terminavam sem acordo no Paquistão.

A presença do republicano no evento esportivo ocorreu em meio ao fracasso das tratativas diplomáticas, conduzidas pelo vice-presidente JD Vance. Antes de embarcar para a Flórida, Trump minimizou o encontro, afirmando que não fazia diferença se um consenso fosse alcançado ou não com o governo iraniano. Ele assistiu às lutas ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio.

No octógono, o brasileiro Paulo Borrachinha foi um dos destaques da noite. Em sua estreia nos meio-pesados, venceu o russo Azamat Murzakanov por nocaute técnico no terceiro round, no UFC 327.

Após a vitória, o lutador chamou atenção ao fazer uma dança em homenagem a Trump, que acompanhava o evento de perto e reagiu com aplausos. Na sequência, Borrachinha se aproximou da grade do octógono, cumprimentou o presidente e trocou algumas palavras, em uma das cenas mais comentadas da noite.

"Obrigado por fazer o que você está fazendo", disse o brasileiro. Trump respondeu elogiando a aparência do atleta: "Você é um cara bonito. Você poderia ser um modelo. Você é bonito demais para ser um lutador".

O impasse nas negociações entre EUA e Irã

As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã foram encerradas neste domingo, 12, em Islamabad, sem acordo após 21 horas de diálogo direto — o primeiro em 47 anos.

O governo do Paquistão, que atuou como mediador, pediu que ambos os lados mantenham o compromisso com o cessar-fogo firmado na última quarta-feira.

O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, afirmou que espera continuidade do diálogo em busca de estabilidade regional. Segundo ele, o país participou de várias rodadas de negociações consideradas intensas e construtivas.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, confirmou que não houve consenso e afirmou que a delegação americana deixou a capital paquistanesa com uma “última oferta”, descrita como um “acordo de entendimento”. Ele disse que Washington apresentou termos claros, mas que não foram aceitos por Teerã.

Vance evitou detalhar as conversas, mas apontou que o principal impasse foi a ausência de um compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares no longo prazo.

“Precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear”, afirmou, ao destacar que esse é o objetivo central da estratégia americana.

Irã intensifica cerco a supostos espiões em meio à guerra com EUA e Israel

Segundo o vice-presidente, os Estados Unidos demonstraram flexibilidade em diferentes pontos das negociações, conduzidas de boa-fé sob orientação do presidente Donald Trump. Ainda assim, ele indicou que o impasse mantém as posições distantes.

Do lado iraniano, autoridades também confirmaram que as conversas não resultaram em acordo, apesar de avanços pontuais em alguns temas. De acordo com fontes ouvidas pela agência estatal “Mehr”, divergências em “duas ou três questões importantes” impediram o consenso final.

Putin se oferece para mediar acordo entre Irã e EUA após impasses

Teerã classificou parte das exigências americanas como “demandas excessivas” e “pedidos ilegais”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, afirmou que o sucesso das negociações depende do reconhecimento dos “direitos e interesses legítimos” do país.

O presidente americano Donald Trump afirmou neste sábado que “tanto faz” para ele o resultado das conversas entre os Estados Unidos e o Irã no Paquistão, ao insistir que seu país havia vencido a guerra.

“Cheguemos ou não a um acordo, tanto faz para mim. O motivo é que nós vencemos”, disse Trump a jornalistas.

Impasse envolve programa nuclear e controle do Estreito de Ormuz

Além da questão nuclear, outro ponto de tensão envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo. O Irã afirmou que não haverá mudanças na situação do local enquanto os Estados Unidos não aceitarem um “acordo razoável”.

Segundo uma fonte iraniana, não há definição sobre uma nova rodada de negociações. O país indicou que não tem pressa e que cabe aos americanos revisar sua postura nas tratativas.

O histórico recente do conflito ajuda a explicar o impasse. Após a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, em 2018, o Irã elevou o nível de enriquecimento de urânio para até 60%, próximo ao patamar necessário para uso militar, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica.

Desde então, Washington defende “enriquecimento zero”, enquanto Teerã sustenta o direito a um programa nuclear com fins pacíficos e exige o fim das sanções econômicas.

As negociações atuais ocorrem após a retomada de conversas indiretas no início de 2026 e da ofensiva militar iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O cessar-fogo firmado recentemente inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, que segue sob restrições.

Apesar do fim sem acordo, o Paquistão afirmou que continuará atuando como mediador e que novas tentativas de diálogo não estão descartadas.

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