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Dalai Lama nega qualquer vínculo com Epstein após citação em arquivos

Líder tibetano foi mencionado mais de 100 vezes em documentos federais dos EUA que detalham orçamentos de luxo

Dalai Lama: equipe nega qualquer interação com Jeffrey Epstein (AFP/AFP)

Dalai Lama: equipe nega qualquer interação com Jeffrey Epstein (AFP/AFP)

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 17h33.

Última atualização em 8 de fevereiro de 2026 às 17h39.

O gabinete oficial do Dalai Lama negou categoricamente qualquer envolvimento entre o líder espiritual e o financista americano Jeffrey Epstein neste domingo, 8.

A manifestação ocorre após a abertura de arquivos judiciais nos Estados Unidos, nos quais o nome do vencedor do Nobel da Paz aparece em mais de 150 ocasiões. Em nota emitida em Nova Delhi, a equipe de Tenzin Gyatso afirmou que ele nunca conheceu o magnata, nem autorizou encontros em seu nome.

Os documentos federais tornados públicos detalham uma complexa rede logística que Epstein tentou estruturar em torno da figura do líder tibetano. Segundo os registros, houve o orçamento de US$ 1 milhão para a reforma de uma residência destinada a hospedar o Dalai Lama e sua comitiva de 15 pessoas em 2012.

As investigações também apontam para o uso de aeronaves privadas da frota de Epstein para deslocamentos do religioso naquele mesmo período.

Logística sob suspeita

Apesar da densidade das citações, a análise técnica dos documentos sugere uma distinção importante entre as intenções do magnata e a realidade dos encontros. Das menções encontradas, cerca de 130 referem-se a artigos de imprensa, ensinamentos budistas ou listas de personalidades que o financista colecionava.

Epstein frequentemente enviava e-mails afirmando que estava "trabalhando" para atrair o líder a jantares privados, e utilizava contatos acadêmicos como ponte para tentar o acesso.

Um dos e-mails mais sensíveis, datado de outubro de 2012, mostra o próprio Epstein cobrando colaboradores sobre uma suposta visita do Dalai Lama. O magnata demonstrava um acompanhamento pessoal detalhado dos deslocamentos da autoridade religiosa, tentando vincular sua imagem à do líder espiritual para ganhar prestígio internacional.

O gabinete oficial, contudo, reforça que o sistema administrativo do Tibete no exílio opera de forma independente e desconhece tais manobras financeiras.

(Com EFE)

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