Redação Exame
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 12h02.
As autoridades cubanas informaram às companhias aéreas que operam no país que o fornecimento de combustível de aviação será suspenso por um mês a partir da meia-noite de segunda-feira (9), em mais um reflexo da grave crise energética enfrentada pela ilha sob pressão dos Estados Unidos.
Segundo um executivo de uma companhia aérea europeia, que falou à AFP sob condição de anonimato, a aviação civil cubana comunicou que não haverá fornecimento de Jet Fuel — o querosene usado na aviação — a partir de terça-feira, 10 de fevereiro, à 0h, no horário local.
A medida, inicialmente válida por 30 dias, deve afetar sobretudo voos de longa distância, que serão obrigados a realizar escalas técnicas no retorno para garantir o abastecimento. Já os voos regionais tendem a manter suas operações sem grandes alterações.
A Air France informou em Havana que manterá sua rota regular, mas com uma escala técnica programada em outro país do Caribe.
Cuba enfrenta uma crise energética profunda após o fim do fornecimento de petróleo pela Venezuela, interrompido depois da derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro.
Na segunda-feira, a Rússia acusou Washington de asfixiar economicamente a ilha. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a situação em Cuba é “realmente crítica” e que Moscou estuda formas de prestar assistência ao país.
“As medidas asfixiantes impostas pelos Estados Unidos estão causando muitas dificuldades. Estamos analisando possíveis soluções com nossos amigos cubanos”, declarou.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, classificou a política americana como uma “agressão cruel” com o objetivo de “dobrar a vontade política dos cubanos”. Segundo ele, o cenário exigirá “grande sacrifício”, embora Havana reafirme disposição ao diálogo.
No domingo, o México enviou a Cuba dois navios com 814 toneladas de ajuda humanitária, enquanto o governo da presidente Claudia Sheinbaum negocia uma eventual entrega de petróleo sem sofrer sanções dos Estados Unidos.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, agradeceu o apoio em publicação nas redes sociais, destacando a solidariedade mexicana.
Diante da escassez de combustível, o governo anunciou uma série de medidas emergenciais, incluindo a adoção de semana de trabalho de quatro dias, ampliação do teletrabalho em órgãos públicos e empresas estatais, além de restrições na venda de combustíveis.
Também haverá redução nos serviços de ônibus e trens entre províncias, fechamento de alguns estabelecimentos turísticos e jornadas escolares mais curtas, enquanto universidades passarão a operar em regime semipresencial.
Segundo o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, as medidas buscam priorizar a produção de alimentos, a geração de eletricidade e a preservação de atividades essenciais para a entrada de divisas.
Após o corte no fornecimento venezuelano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na semana passada um decreto que prevê tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba. Trump também afirmou que o México deixará de fornecer petróleo à ilha, como vinha fazendo desde 2023.
Washington justifica a política alegando que Cuba representa uma “ameaça excepcional”. O governo cubano, por sua vez, afirma que os Estados Unidos tentam “asfixiar” economicamente o país.
*Com informações da AFP