Invest

Da cerveja à fantasia: itens de Carnaval encarecem quase 80% em uma década

Levantamento da Rico aponta que despesas com bebidas, maquiagem, acessórios e transporte cresceram bem acima da inflação oficial

Carnaval: itens para curtir o feriado ficaram mais caros, acima da inflação (Monobloco/Divulgação)

Carnaval: itens para curtir o feriado ficaram mais caros, acima da inflação (Monobloco/Divulgação)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 11h46.

Uma boa fantasia, regada a glitter, não pode faltar no Carnaval. Para quem bebe, a cerveja gelada também entra no combo. Entretanto, tudo isso está pesando mais no bolso dos foliões.

Um estudo da Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., mostrou que a chamada “cesta carnavalesca”, composta por produtos e serviços consumidos nos dias de folia, acumulou alta de 79,07% em 10 anos.

“Isso significa que os principais itens consumidos durante o carnaval subiram perto de 14% a mais do que a inflação média de bens e serviços do país nos últimos 10 anos, que é de 64,77%”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento.

O estudo analisou o comportamento dos principais gastos associados ao Carnaval, como bebidas, maquiagem, bijuterias, serviços de beleza e transporte, em diferentes horizontes de tempo.

No recorte de seis anos, a diferença entre a cesta temática e o índice geral se estreitou, mas a pressão segue acima da média: a cesta carnavalesca subiu 48,97%, contra 39,15% do IPCA. No curto prazo, olhando para 2025, a seleção também permaneceu à frente da inflação oficial.

Para avaliar quanto o Carnaval pesa, de fato, no orçamento, a Rico elaborou uma cesta hipotética reunindo alguns dos principais gastos típicos do período, como cerveja e outras bebidas alcoólicas, bijuterias, itens de maquiagem, serviços de cabeleireiro, além de passagens aéreas e de ônibus interestaduais.

O levantamento indica que a pressão sobre o bolso não é causada por um produto específico, mas pelo acúmulo de reajustes em diferentes despesas concentradas durante a folia.

Itens12 meses6 anos10 anos
IPCA4,26%39,15%64,77%
Cesta total5,51%48,97%79,07%
Cerveja5,97%41,34%58,18%
Outras bebidas alcoólicas-2,88%51,09%80,76%
Vinho0,80%23,64%Iniciou a partir de 01/2020
Cerveja (duplicado?)3,11%31,87%51,53%
Bijuteria9,88%57,84%61,76%
Ônibus interestadual4,04%26,95%54,91%
Passagem aérea7,86%48,64%74,23%
Artigos de maquiagem3,27%29,09%35,16%
Cabeleireiro e barbeiro8,07%42,62%Iniciou a partir de 01/2020

Visual carnavalesco

Produtos ligados à produção do visual típico do Carnaval também registraram elevação de preços. As bijuterias acumularam inflação de 61,76% em dez anos e de 57,84% em seis anos, indicando um aumento contínuo ao longo do tempo.

No recorte mais recente, o acumulado de 2025 mostrou a maior alta entre todos os itens analisados, superando inclusive a cesta carnavalesca. De acordo com o estudo, esse avanço reflete o aumento dos custos de produção e a valorização do dólar, que encarece insumos como metais e pedras sintéticas.

Os itens de maquiagem, por sua vez, subiram 35,16% em dez anos e 29,09% em seis anos, refletindo o encarecimento de pigmentos importados e embalagens.

Bebidas alcoólicas

Ao longo dos últimos dez anos, a cerveja acumulou valorização de 58,18%, enquanto outras bebidas alcoólicas — como destilados e coquetéis prontos — tiveram avanço ainda mais intenso, com inflação de 80,76% no período, a maior entre os itens avaliados.

Segundo o estudo, o movimento está ligado ao aumento dos custos de insumos, como malte e alumínio usado nas latas. No caso de outras bebidas alcoólicas, a alta do dólar, que encarece a importação de matérias-primas, também contribuiu para pressionar os preços.

O vinho apresentou comportamento diferente, com inflação mais contida: alta de 23,64% nos últimos seis anos, período em que passou a integrar o IPCA, a partir de 2020.

Serviços e transporte

Os serviços pessoais, como cabeleireiro e barbeiro, também tiveram reajustes expressivos. Nos últimos seis anos, a inflação acumulada foi de 42,62%. O estudo destaca que esses serviços são sensíveis à renda disponível da população e à concentração da demanda em períodos festivos.

Já para quem decide viajar no Carnaval, o deslocamento pesa no orçamento. As passagens aéreas acumularam alta de 74,23% em dez anos e de 48,64% em seis anos, enquanto as passagens de ônibus interestaduais registraram avanço de 54,91% em dez anos.

Combustíveis, câmbio, maior procura e ajustes de oferta ajudam a explicar as variações mais intensas observadas nesses preços.

4 dicas para evitar a 'ressaca financeira'

Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, reúne orientações práticas para aproveitar a festa com mais consciência — e menos aperto depois da Quarta-Feira de Cinzas.

1. Antecipe gastos e fuja da inflação de última hora

No Carnaval, serviços e deslocamento tendem a ficar mais caros pela alta concentração de demanda. Planejar gastos com antecedência, comprar passagens antes e criar pequenas reservas ajuda a evitar preços inflacionados nos dias de festa.

2. Proteja seu dinheiro durante a folia

Em meio a aglomerações, vale adotar cuidados simples: desativar pagamento por aproximação dos cartões, evitar Wi-Fi público, usar doleira e, se possível, levar um celular secundário. Em caso de furto, o contato imediato com o banco reduz prejuízos.

3. Tenha uma reserva de emergência

Imprevistos acontecem — e a reserva funciona como um “abadá financeiro”. O ideal é priorizar liquidez e segurança, com aplicações que permitam resgate rápido, evitando o uso de crédito caro no pós-Carnaval.

4. Organize o orçamento para o resto do ano

Depois da folia, colocar os gastos na planilha ajuda a evitar que a ressaca financeira se estenda pelos meses seguintes. Visualizar despesas fixas, variáveis e sazonais traz mais controle e facilita decisões ao longo do ano.

Acompanhe tudo sobre:Carnavaleducacao-financeiraFeriadosMaquiagemCervejasbebidas-alcoolicaspassagens-aereas

Mais de Invest

Ação da Smart Fit sobe mais de 6% após balanço do 4º tri

Índia reabre portas ao capital da China após seis anos de tensão

PRIO tem prejuízo no 4º tri, mas mercado mantém confiança na 'queridinha' do petróleo

Petrobras segura Ibovespa em novo dia de cautela nos mercados