Greve ferroviária: integrantes de sindicatos protestam em frente à estação ferroviária de Sants, em Barcelona (Lluis GENE/AFP)
Redação Exame
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 10h40.
A Espanha enfrenta, a partir desta segunda-feira, 9, uma greve ferroviária de três dias iniciada por maquinistas em protesto contra a deterioração da infraestrutura e a falta de financiamento do sistema ferroviário.
Segundo os sindicatos, essas falhas estariam na origem de dois acidentes ocorridos em meados de janeiro, que deixaram 47 mortos. Para os trabalhadores, os episódios expõem problemas estruturais acumulados ao longo dos últimos anos.
Como é habitual no país, as autoridades determinaram a manutenção de serviços mínimos. Durante os horários de pico, até 75% dos trens de curta distância devem operar; fora desses períodos, o índice cai para 50%.
Apesar das medidas, a estação de Atocha, em Madri, registrou dificuldades logo nas primeiras horas da manhã. Entre 7h e 8h, passageiros enfrentaram atrasos, superlotação e falta de informações sobre as viagens.
As plataformas ficaram tão cheias que o acesso precisou ser controlado. Muitos usuários tentavam seguir para os subúrbios ou chegar ao centro da capital para o trabalho.
Piquetes do sindicato distribuíram panfletos pedindo “compreensão e apoio” dos passageiros. No material, o sindicato afirma que os acidentes recentes não são casos isolados, mas resultado de decisões que priorizam cortes e a fragmentação do serviço em detrimento de uma ferrovia pública e segura.
Entre os passageiros, as reações foram divididas. Mari Carmen González, de 58 anos, que tentava viajar de Madri para Aranjuez, disse não ter conseguido embarcar e criticou o cumprimento dos serviços mínimos.
Já Victoria Bulgier, professora americana que precisava ir para Getafe, afirmou compreender os motivos da paralisação e disse que os trabalhadores não deveriam atuar em condições que coloquem suas vidas em risco.
*Com informações da AFP