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China diz que vitória do partido da Takaichi expõe 'problemas estruturais' no Japão

Pequim reage ao resultado das eleições japonesas e cobra caminho pacífico, em meio a tensões com Tóquio por causa de Taiwan

Sanae Takaichi: a política foi eleita no último dia 21 de outubro para liderar o Japão (Eugene Hoshiko /AFP)

Sanae Takaichi: a política foi eleita no último dia 21 de outubro para liderar o Japão (Eugene Hoshiko /AFP)

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 11h10.

A China afirmou nesta segunda-feira, 9, que a vitória esmagadora do partido da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições do Japão “reflete problemas estruturais” no país, em um contexto de tensões crescentes entre Pequim e Tóquio.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, disse que os resultados mostram “tendências ideológicas profundamente enraizadas” que, segundo ele, merecem reflexão por parte do Japão e da comunidade internacional.

Lin afirmou que as autoridades japonesas devem “enfrentar, em vez de ignorar, as preocupações da comunidade internacional” e seguir o caminho do desenvolvimento pacífico, evitando “repetir os erros do passado”.

O porta-voz acrescentou que, caso “forças de extrema direita” no Japão interpretem mal a situação e ajam de forma imprudente, enfrentarão resistência interna e um “forte contra-ataque” da comunidade internacional.

Política chinesa não muda, diz Pequim

Segundo o governo chinês, a política de Pequim em relação ao Japão “sempre manteve estabilidade e continuidade” e não será alterada por uma eleição específica.

O partido de Takaichi conquistou 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa, em uma eleição realizada em meio à deterioração sustentada das relações entre os dois países.

A China tem acusado reiteradamente o Japão de interferir em seus assuntos internos por causa de declarações de Takaichi sobre Taiwan. A premiê afirmou que um eventual ataque chinês à ilha poderia colocar o Japão em “situação de crise” e levar à intervenção das Forças de Autodefesa.

Em resposta, Pequim apresentou protestos diplomáticos formais, emitiu alertas de viagem a seus cidadãos, impôs restrições à importação de frutos do mar japoneses e criticou o envio de sistemas antimísseis ao sudoeste do arquipélago japonês.

O Japão, por sua vez, defendeu a legitimidade de seus contatos com Taiwan e ressaltou que a estabilidade no estreito é uma questão de segurança nacional.

*Com informações da EFE

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