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Premiê do Japão reafirma expansão fiscal após vitória nas eleições

Sanae Takaichi diz ter recebido mandato para ampliar gastos, apesar de pressões do mercado, alta dos juros e enfraquecimento do iene

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi (Franck Robichon/AFP)

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi (Franck Robichon/AFP)

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 10h54.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou nesta segunda-feira, 9, que a vitória expressiva nas eleições antecipadas de domingo lhe dá respaldo para avançar com uma política de expansão fiscal.

Em entrevista coletiva, Takaichi disse que os eleitores deram um “forte impulso” para mudanças de política, defendendo o abandono da restrição fiscal e o aumento de investimentos, mesmo diante das preocupações do mercado financeiro.

Maioria histórica na Câmara Baixa

A conservadora de 64 anos conquistou 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa, segundo dados divulgados pela emissora pública NHK. Com isso, garantiu uma maioria isolada de dois terços na Casa.

Somada ao aliado Partido da Inovação do Japão (Ishin), a coalizão governista alcança 352 assentos. Ainda assim, Takaichi destacou que o governo segue em minoria no Senado e afirmou que buscará diálogo com a oposição para aprovar o Orçamento do ano fiscal de 2026.

Prioridades da primeira-ministra

Entre as prioridades, a premiê citou uma política fiscal “proativa e responsável” e o reforço das políticas de segurança. Ela voltou a defender a redução a zero, por dois anos, do imposto sobre alimentos e bebidas, como forma de aliviar a pressão da inflação sobre as famílias.

A agenda inclui ainda o pacote de estímulos de 21,3 trilhões de ienes anunciado em dezembro, além de planos para criar uma agência nacional de inteligência e intensificar o controle sobre investimentos estrangeiros.

A orientação favorável ao aumento do gasto público tem gerado preocupação com a saúde fiscal do Japão, a economia desenvolvida mais endividada do mundo. Desde que Takaichi assumiu o cargo, em outubro do ano passado, o iene se desvalorizou para cerca de 156 unidades por dólar.

Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos públicos atingiram os níveis mais altos em várias décadas, refletindo a desconfiança dos investidores em relação ao aumento do endividamento.

Política externa e relação com EUA e China

Na política externa, Takaichi afirmou que pretende ampliar a cooperação com os Estados Unidos e confirmou uma cúpula com o presidente americano Donald Trump em 19 de março, em Washington. Trump elogiou publicamente a vitória da premiê e desejou “grande sucesso” à sua gestão.

Ao mesmo tempo, a líder japonesa afirmou estar aberta ao diálogo com a China, após críticas de Pequim a declarações anteriores sobre Taiwan. Segundo Takaichi, as conversas continuarão de forma “serena e adequada”, apesar das tensões recentes.

A continuidade do mandato, segundo analistas e eleitores ouvidos pela AFP, dependerá do desempenho econômico e da capacidade do governo de conter a inflação e sustentar o crescimento nos próximos anos.

*Com informações da AFP e da EFE

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