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Democracia na América Latina depende de resultados, afirma Pnud

Representante da ONU afirma que sistema democrático depende de resultados concretos e não apenas de eleições

Publicado em 19 de maio de 2026 às 07h29.

Em um momento de polarização na América Latina, o simples ato de votar “não garante a democracia”, afirmou nesta segunda-feira, 18, Claudio Providas, representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil.

Segundo ele, o funcionamento pleno do sistema democrático depende da capacidade dos cidadãos de exercerem direitos e perceberem avanços concretos em qualidade de vida e desenvolvimento humano.

Em entrevista à Agência EFE em Brasília, Providas destacou que sistemas políticos não são suficientes se não conseguirem entregar resultados “com rapidez, eficiência e transparência”.

“Não é uma questão de poder aquisitivo, trata-se de sentirem que existe prosperidade, que têm liberdades civis, que seus direitos possam se tornar efetivos”, afirmou o representante do Pnud.

Para ele, o funcionamento da democracia não depende apenas de eleições ou de marcos legais, mas de estruturas capazes de transformar direitos em realidade.

O representante também afirmou que a maior parte das crises políticas e humanitárias está ligada a falhas na promoção do desenvolvimento humano.

América Latina ainda é a região mais democrática, mas também a mais desigual

Providas afirmou que a América Latina e o Caribe continuam sendo a região mais democrática do mundo, com quatro em cada cinco cidadãos vivendo sob regimes democráticos.

Por outro lado, ele ressaltou que a desigualdade estrutural ajuda a explicar o descontentamento crescente com as instituições.

Segundo ele, novas pressões sobre a democracia incluem polarização política, insegurança, desigualdade e desinformação potencializada pela inteligência artificial.

“O sentimento dos jovens é de que não estão sendo ouvidos”, disse o representante ao comentar protestos recentes em países como Chile, Colômbia, Peru, Equador e México.

Diferentemente de gerações anteriores, que viveram períodos de ditaduras na região, os jovens atuais cresceram em democracias e agora cobram resultados concretos em emprego, educação e qualidade de vida.

Providas afirmou que a polarização política é um dos principais riscos à democracia na região, segundo relatório recente do Pnud.

Ele definiu a polarização como resultado da falta de escuta entre grupos políticos e defendeu o diálogo como caminho central para enfrentá-la.

“Acredito que devemos retornar a esse fundamento, que é profundamente democrático, que é o diálogo”, afirmou.

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