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Irã rejeita novas negociações com EUA por 'exigências excessivas', diz mídia local

Segundo agência ligada à Guarda Revolucionária, Irã também contesta a manutenção do bloqueio naval aos portos iranianos

Tensão no Oriente Médio: Teerã ainda não aceitou, por ora, uma nova rodada de negociações com Washington (KEN CEDENO/AFP)

Tensão no Oriente Médio: Teerã ainda não aceitou, por ora, uma nova rodada de negociações com Washington (KEN CEDENO/AFP)

Publicado em 18 de abril de 2026 às 10h34.

Este sábado, 18, no Irã começou em clima de forte tensão, em meio a uma sequência de escaladas envolvendo o Estreito de Ormuz e o impasse diplomático com os Estados Unidos. Além dos episódios militares e das decisões sobre o controle da via marítima estratégica, Teerã ainda não aceitou, por ora, uma nova rodada de negociações com Washington.

Segundo a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária e citando uma fonte iraniana, o motivo é que a segunda maior nação do Oriente Médio classifica as exigências dos EUA como "excessivas" e contesta também a manutenção do bloqueio naval americano contra portos iranianos.

A fonte afirmou que o Irã considera a ausência dessas exigências uma condição essencial para seguir com qualquer diálogo, e disse que o país não pretende "perder tempo em conversas prolongadas e infrutíferas".

A mensagem, segundo a agência, teria sido transmitida a Washington por meio do Paquistão, que atua como intermediário diplomático entre os dois lados.

A decisão ocorre após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, nesta sexta, 17, quando o republicano afirmou que o bloqueio aos portos iranianos seria mantido, mesmo após anúncios de reabertura parcial do Estreito de Ormuz.

Trump também mencionou a possibilidade de cooperação com o Irã em temas ligados ao urânio enriquecido — declaração que foi rejeitada pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano.

Escalada das tensões neste sábado

Em resposta ao cenário de pressão, as Forças Armadas iranianas anunciaram neste sábado que voltaram a impor “controle rigoroso” sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Segundo comunicado militar, a via estratégica “está sob gestão e controle rigorosos” das forças do país.

Na madrugada, o presidente do Parlamento iraniano já havia indicado que o estreito “não permanecerá aberto” caso o bloqueio americano continue, ampliando o tom de confronto.

O impasse diplomático acontece uma semana após uma rodada de negociações entre os dois países terminar sem acordo, com divergências sobre o programa nuclear iraniano e o próprio controle do estreito. Enquanto isso, a escalada militar e as incertezas sobre o fluxo no Ormuz mantêm o cenário internacional em alerta.

O guia supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado, 18, que a Marinha iraniana está preparada para enfrentar e “infligir novas derrotas ao inimigo”, em meio à escalada de tensões após a decisão de voltar a fechar o Estreito de Ormuz. A declaração foi divulgada no Telegram pouco depois da medida anunciada por Teerã em resposta ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

Na mensagem, o líder afirma que a “corajosa Marinha do Irã está preparada para fazer com que os inimigos provem o gosto amargo de novas derrotas”, reforçando o tom de confronto em torno da rota marítima estratégica.

O que aconteceu no Estreito de Ormuz

Na sexta-feira, 16, o Irã anunciou a reabetura total do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de 20% do petróleo produzido no mundo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou a decisão do país, mas declarou que que o bloqueio permaneceria válido para o Irã.

Em resposta, o Irã voltou a restringir o tráfego no Estreito de Ormuz neste sábado, 18, elevando novamente as tensões no Oriente Médio, enquanto Trump afirmou ter recebido “boas notícias” sobre o avanço das negociações entre os dois países.

Segundo a mídia estatal iraniana e autoridades militares, o estreito voltou a operar sob controle rigoroso das Forças Armadas, com restrições à passagem de embarcações.

O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia também declarou que o tráfego seguirá limitado enquanto Washington não suspender as restrições. “Essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, afirmou.

Horas depois do anúncio, lanchas rápidas da Guarda Revolucionária do Irã abriram fogo contra um petroleiro que transitava pelo Estreito de Ormuz, segundo informou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

O órgão britânico afirmou que o navio foi interceptado a cerca de 37 quilômetros a nordeste de Omã por duas embarcações iranianas, sem aviso prévio por rádio. A tripulação está a salvo, mas a nacionalidade do petroleiro e seu destino não foram divulgados, de acordo com a AFP.

(*) Com informações da EFE

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