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Crise deixa Tóquio com ares de cidade fantasma

Cidade fica quase deserta e ruas são abandonadas enquanto população tenta sair do país e fugir do crescente risco nuclear

Trânsito em Tóquio após transportes serem paralisados por causa de terremoto (Koichi Saito/Getty Images)

Trânsito em Tóquio após transportes serem paralisados por causa de terremoto (Koichi Saito/Getty Images)

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Da Redação

16 de março de 2011, 16h32

Tóquio - Regiões em geral movimentadíssimas de Tóquio, com funcionários de escritórios lotando os restaurantes e lojinhas, estão quietas. Muitas escolas permanecem fechadas. As empresas autorizaram os trabalhadores a ficarem em casa. Longas filas se formam nos aeroportos.

Enquanto as autoridades japonesas se esforçam para evitar um desastre em um complexo nuclear situado 240 quilômetros ao norte da capital, partes de Tóquio parecem uma cidade fantasma.

Muitas pessoas estocaram alimentos e permanecem em casa; outras partiram. Com isso, uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo teve a aparência transformada.

"Olhe, parece domingo - nenhum carro na cidade", disse o taxista Kazushi Arisawa, de 62 anos, enquanto aguardava havia mais de uma hora o surgimento de algum cliente na frente de um edifício empresarial onde no geral encontra clientes em minutos. "Não dá para ganhar dinheiro hoje."

A radiação em Tóquio tem sido desprezível, atingindo brevemente três vezes o índice normal na terça-feira -- menos do que o equivalente a um raio-X no dente. Na quarta-feira, os ventos sobre a usina nuclear de Fukushima sopraram em direção ao mar, mantendo os níveis próximos ao normal.

Isso, no entanto, pouco fez para dissipar a ansiedade da população com relação ao complexo nuclear de 40 anos com três reatores com derretimento parcial e um quarto com o combustível atômico usado exposto à atmosfera depois do terremoto e do tsunami de sexta-feira.

"A radiação se move mais rapidamente do que nós", disse o norte-americano Steven Swanson, de 43 anos, que se mudou para Tóquio em dezembro com a mulher japonesa para ajudar nos negócios da família.

Ele permanece em ambientes fechados, mas está tentado a partir. "É assustador. É uma ameaça tripla com o terremoto, o tsunami e os vazamentos de radiação nuclear. Isso faz você perguntar o que vem a seguir".


Uma série de eventos importantes foi cancelada, incluindo o Campeonato Mundial de Patinação Artística, a Fashion Week do Japão e a Feira Internacional de Animes de Tóquio. Os organizadores citam as "circunstâncias extremas".

Abastados, os banqueiros estrangeiros fogem rápido, alguns em aviões particulares. Entre os bancos cujos funcionários partiram depois de sexta-feira estão o BNP Paribas, o Standard Chartered e o Morgan Stanley, segundo fontes da indústria.

Milhares de pessoas correram às empresas de jatos privados com pedidos de voos para sair da região, levando o preço às alturas.

"Recebi uma solicitação ontem para levar 14 pessoas de Tóquio para Hong Kong...eles não se importavam com o preço", disse Jackie Wu, diretor operacional da Hong Kong Jet, subsidiária recém-estabelecida do HNA Group, da China.

Um avião fretado de Tóquio para Austrália, apenas ida, custava 265 mil dólares, 20 por cento a mais do que o habitual, disse ele.