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Coreia do Sul condena ex-presidente por provocação à Coreia do Norte

Yoon Suk Yeol já havia sido condenado à prisão perpétua por impor a Lei Marcial no país em uma tentativa frustrada de golpe de estado

Yoon Suk Yeol: ex-presidente coreano impôs a Lei Marcial no país e recuou após rejeição do Congresso (KIM HONG-JI / POOL / AFP)

Yoon Suk Yeol: ex-presidente coreano impôs a Lei Marcial no país e recuou após rejeição do Congresso (KIM HONG-JI / POOL / AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 12 de junho de 2026 às 10h26.

O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi condenado nesta sexta-feira, 12, a 30 anos de prisão por ordenar o envio de drones à Coreia do Norte em 2024. Segundo a acusação, a operação tinha como objetivo provocar uma reação de Pyongyang e criar uma justificativa para a tentativa de impor a Lei Marcial no país, em dezembro daquele ano.

A decisão foi tomada pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que também condenou outros integrantes da cúpula militar envolvida no caso. A corte considerou Yoon e seus aliados culpados por traição e abuso de poder.

Em fevereiro, o ex-presidente já havia recebido uma condenação à prisão perpétua por insurreição, relacionada à tentativa de suspender as instituições democráticas sul-coreanas com a declaração da Lei Marcial.

Drones seriam usados para provocar a Coreia do Norte

Segundo a promotoria, Yoon ordenou a operação com drones em outubro de 2024 com a intenção de provocar uma resposta militar da Coreia do Norte. A estratégia, de acordo com os investigadores, permitiria ao governo criar um cenário de emergência nacional que justificasse a adoção de medidas excepcionais.

A sentença afirmou que os envolvidos "usaram o pretexto de uma operação militar para induzir provocações da Coreia do Norte com o objetivo de criar um estado de emergência".

Além de Yoon, foram condenados: o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun, que recebeu pena de 30 anos de prisão; o ex-chefe do Comando de Contrainteligência de Defesa, Yeo In-hyung, condenado a 15 anos; e o ex-comandante do Comando de Operações com Drones, Kim Yong-dae, que recebeu três anos de prisão, com suspensão da pena por cinco anos.

O tribunal afirmou que os três militares contribuíram para elevar o risco de um conflito com a Coreia do Norte, mas destacou que Yoon teve a "maior responsabilidade" pelo episódio.

Tentativa de Lei Marcial provocou crise política na Coreia do Sul

Em 3 de dezembro de 2024, Yoon anunciou a imposição da Lei Marcial na Coreia do Sul sob a alegação de que o país enfrentava uma ameaça de "forças antiestatais" ligadas à Coreia do Norte.

A medida determinava restrições à atividade política e autorizava ações militares, mas foi revertida poucas horas depois após uma reação da Assembleia Nacional e protestos em massa nas ruas.

Durante a madrugada, parlamentares conseguiram se reunir e aprovaram a derrubada da decisão, levando Yoon a recuar da medida. O episódio desencadeou meses de crise política, com o impeachment do presidente e uma série de investigações.

Os advogados de Yoon argumentaram que o envio de drones era uma resposta legítima a ações norte-coreanas, incluindo o lançamento de balões com lixo e resíduos em direção ao território sul-coreano em 2024.

As tensões entre os dois países aumentaram naquele ano após a Coreia do Norte acusar Seul de enviar drones para Pyongyang com panfletos de propaganda. Segundo a acusação aceita pela Justiça sul-coreana, os drones haviam sido enviados por ordem de Yoon justamente para provocar uma reação do regime norte-coreano.

Com a condenação, o ex-presidente permanece preso e ainda pode recorrer das decisões judiciais relacionadas aos diferentes processos envolvendo sua tentativa de impor a Lei Marcial.

Com informações da AFP

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