Copa do Mundo: uma máquina de fazer dinheiro

Empresas envolvidas em investimentos no Mundial esperam aumento de lucros e vendas; analistas esperam um `boom´ econômico na África do Sul

Johannesburgo - A Copa do Mundo, evento esportivo mais importante junto com os Jogos Olímpicos, gera um impacto econômico enorme que vai das cifras siderais relativas à publicidade e aos direitos de transmissão às guerras entre marcas e à indústria do turismo.

A África do Sul está no centro do cenário econômico, embora a influência da competição nos países vizinhos não possa ser ignorada.

As próprias 32 seleções participantes são uma grande fonte de lucros, por representarem uma imensa vitrine publicitária para seus jogadores, além de vultosos lucros para as casas de apostas.

As grandes multinacionais do esporte como Nike, Adidas, Reebok e Puma travam um duro 'combate' em diferentes mercados regionais com suas logomarcas exibidas pelas seleções e craques. Todas querem ver suas marcas com a seleção campeã ou com as estrelas da Copa.

"A competição leva à realização de diferentes investimentos por parte das marcas que vestirão as diferentes seleções, com o objetivo de obter maior popularidade e reconhecimento", explica um relatório da consultoria Euroamericas Sport Marketing.

"Busca-se aumentar o consumo de seus produtos e elevar as vendas de forma exponencial", acrescenta.

Mas em linhas gerais, um amplo segmento de empresas se voltou para o Mundial para aumentar suas vendas, apelando para campanhas publicitárias ligadas ao torneio e as suas principais figuras em cada país, como é o exemplo de Sebastián Verón, na Argentina, Kaká, no Brasil, ou Cristiano Ronaldo, em Portugal.

A consultoria Grant Thornton confirma que a África do Sul viverá um "boom" econômico durante a competição da Fifa, lembrando que na edição de 2006 a Federação Alemã obteve um lucro de 135 milhões de euros, já com os impostos descontados.

"Revisamos as cifras depois da recessão mundial e das principais fases de venda de ingressos, e alguns dos dados obtidos nos deixam muito esperançosos", afirma Gillian Saunders, um dos diretores da empresa que também faz auditorias em nível mundial.


No plano turístico, seus cálculos indicam que cerca de 300.000 torcedores irão à África do Sul. "Os turistas estrangeiros ficarão em média 18 dias", estima Saunders, que calcula "os gastos médios por turista em 30.200 rands" (cerca de 3.020 euros).

O impacto econômico bruto será de 93 bilhões de rands, dos quais espera-se que 62% tenham sido gerados antes de 2010, e 38%, no restante deste ano. O turismo estrangeiro representará 16% do total bruto.

Para estar à altura dos acontecimentos, o governo local fez fortes investimentos em infraestrutura, principalmente no setor de transportes.

No mercado de trabalho, a competição gerou 695.000 postos, dos quais 280.000 serão mantidos em 2010, analisa Saunders, que vê outros ganhos extras.

"Os estádios estarão cheios. A imagem da África do Sul e as competições similares que poderá organizar no futuro são os verdadeiros benefícios que o país espera por sediar uma competição desta magnitude", considera.

Apesar das dúvidas anteriores, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, manteve sua aposta. E os números prévios já são alentadores: os direitos de transmissão do Mundial chegaram a 1,059 bilhão de dólares.

"Estamos tranquilos. Não diria que estamos ricos, mas conseguimos um bom resultado. Conceder o Mundial à África do Sul foi uma boa decisão econômica e comercial", disse Blatter.

De qualquer forma, Blatter pretende dividir o bolo para ajudar o continente mais pobre do planeta com o projeto 'Vencer na África com a África', um programa para o qual estão destinados 70 milhões de dólares, para cumprir com "um importante compromisso com um continente que tanto contribuiu para o futebol mundial".


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