Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 11h30.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) se reunirá nesta segunda-feira, 5, às 12h, para tratar da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela.
A reunião de emergência foi solicitada pela Colômbia, membro rotativo do Conselho, e foi apoiada pela Rússia e China. Em outubro e dezembro, o Conselho já havia se reunido para discutir às agressões dos Estados Unidos à Venezuela.
A expectativa é que os países discutam os próximos passos diante do novo cenário político e militar no país sul-americano.
O governo brasileiro terá representação na reunião extraordinária.
No domingo, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram um pronunciamento conjunto onde manifestaram preocupação com “qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos”.
Uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) também foi realizada para debater o tema com os ministros das relações exteriores dos 33 países da região.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, considerou a invasão um precedente perigoso e defendeu o pleno respeito do direito internacional e a carta da organização.
Guterres ainda disse que ação militar tem potenciais implicações preocupantes para a região.
O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, escreveu ao Conselho de Segurança denunciando que os Estados Unidos violaram a Carta de Fundação das Nações Unidas.
Moncada argumenta que os norte- americanos promovem uma guerra colonial para destruir um governo escolhido livremente pelo seu povo e promover uma pilhagem do petróleo venezuelano.
Os americanos bombardearam alvos em Caracas e seus arredores e capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa na madrugada da sábado.
O líder chavista foi retirado do seu país rumo aos Estados Unidos.
Segundo o exército chavista, uma parte da equipe de segurança de Madura foi morta "a sangue frio" pelos americanos durante a operação.
Ele está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele foi acusado pelo governo americano de quatro crimes, narcotráfico e terrorismo, e será julgamento por um tribunal de Nova York.
No domingo, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a decisão da Supremo Corte do país que determinou que Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicólas Maduro, assumisse como presidente responsável pelo país.
Em comunicado transmitido em rede nacional, os militares apoiaram o decreto de agitação externa declarado no dia anterior e que concede ao Estado poderes especiais para tomar medidas em situações de conflito.
Além disso, afirmaram que estão unidos e coesos contra a "agressão imperial" e pediram para a população retomar as suas atividades econômicas.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou Delcy Rodríguez ao afirmar que a presidente interina pagará um "preço muito alto" caso não coopere com os Estados Unidos.
O Republicano disse ainda que a melhor solução para a Venezuela é a reconstrução ou mudança de regime.
A reação do americano ocorreu após Rodríguez afirmar que o seu país está pronto para defender seus recursos naturais e que as Forças Armadas seguirão comprometidas com a implementação das políticas de Maduro, cujo retorno ela exige.
No sábado, Trump afirmou que os Estados Unidos governariam a Venezuela e instalaria empresas americanas para reconstruir a indústria do petróleo do país.