Ao menos 23 países já confirmaram adesão ao Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira, 22. A estrutura, apresentada como um novo modelo para mediar crises globais e reconstruir regiões em conflito, funciona à margem da Organização das Nações Unidas (ONU) e prevê mandato de tempo indeterminado para Trump na presidência do órgão.
Para integrar o Conselho de forma permanente, os países convidados podem ser solicitados a aportar até US$ 1 bilhão no primeiro ano de funcionamento. Estados que fizerem contribuições acima desse valor ficam isentos do limite de mandato de três anos previsto para os demais membros.
A Casa Branca afirmou que as contribuições são voluntárias, mas disse que países que desejem participar ativamente da supervisão dos projetos devem estar dispostos a realizar aportes significativos.
Europa resiste; Brasil mantém posição estratégica
Até o momento, seis países europeus recusaram participar. Outros, como o Reino Unido, seguem avaliando a proposta.
O Canadá teve o convite revogado após atrito entre Trump e o primeiro-ministro Mark Carney no Fórum Econômico Mundial.
Já o Brasil adotou uma postura cautelosa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o modelo, acusando Trump de tentar criar uma “nova ONU” com base em poder econômico e liderança centralizada. O Itamaraty prepara questionamentos técnicos sobre a legalidade e a estrutura do conselho antes de emitir posição formal.
A diplomacia brasileira pretende usar o avanço da iniciativa como argumento para reforçar a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, tema que voltará à pauta na Assembleia Geral de setembro.
Países que aceitaram o Conselho da Paz
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Armênia
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Arábia Saudita
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Argentina
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Azerbaijão
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Bahrein
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Belarus
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Bulgária
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Catar
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Cazaquistão
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Egito
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Emirados Árabes Unidos
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Hungria
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Indonésia
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Israel
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Jordânia
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Kosovo
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Marrocos
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Mongólia
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Paquistão
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Paraguai
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Turquia
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Uzbequistão
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Vietnã
Países que recusaram o convite:
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Alemanha
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Espanha
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Eslovênia
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França
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Noruega
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Suécia
Países que estão analisando
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Brasil
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Reino Unido
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China
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Rússia
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Itália
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Ucrânia
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Singapura
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Croácia
O que é o Conselho de Paz?
O Conselho de Paz será presidido por Trump, que também atuará separadamente como representante dos Estados Unidos. Apenas o presidente do conselho —Trump — pode convidar novos membros e revogar participações, salvo veto por maioria qualificada de dois terços dos Estados integrantes.
O conselho executivo terá sete membros fixos e será liderado por Trump. Entre os nomes confirmados estão o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o empresário Jared Kushner, genro do presidente, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, além de executivos do setor financeiro e representantes ligados ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
O estatuto do Conselho afirma que sua missão é “promover a estabilidade, restabelecer uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura” em regiões afetadas por conflitos, ao mesmo tempo em que critica “instituições e enfoques que falharam repetidamente”, em referência indireta à ONU.
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