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China ordena prioridade máxima para estocar petróleo, gás e alimentos 

As autoridades chinesas sequer mencionaram os preços máximos de compras desses materiais. O custo das importações não é o objetivo no momento. A urgência é garantir o estoque.

 (Kevin Lee/Bloomberg/Getty Images)

(Kevin Lee/Bloomberg/Getty Images)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

2 de março de 2022, 09h52

O governo da China ordenou nos últimos dias a máxima prioridade para o acúmulo de comida e recursos naturais.

A informação foi divulgada nesta terça-feira pela agência Bloomberg.

Analistas internacionais consideram essa decisão chinesa como um sinal que o governo local prevê uma piora da guerra da Ucrânia e um possível impacto nas economias mundiais provocado pelo desabastecimento de produtos importados dos países em guerra.

Pequim está estocando uma série de commodities que poderiam sofrer um impacto negativo pelo conflito, principalmente:

  • petróleo;
  • gás;
  • minério de ferro;
  • milho;
  • trigo.

Agências governamentais, incluindo o principal órgão de planejamento econômico da China - a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma - receberam ordens para pressionar os compradores estatais a vasculhar os mercados internacionais em busca desses materiais.

O objetivo é fazer frente a o possível desabastecimento provocado pelo conflito.

Não importam preços, o objetivo é o estoque

As autoridades chinesas sequer mencionaram os preços máximos de compras desses materiais. O custo das importações não é o objetivo no momento. A urgência é garantir o estoque.

O aumento nos preços das commodities devido à guerra no Leste Europeu provavelmente complicará as medidas para sustentar o crescimento da China.

Por exemplo, com o setor de potássio da Bielorrússia sob sanções dos EUA e da União Europeia, a China agora está pagando 139% a mais do que pagou um ano atrás para garantir as importações do Canadá e de Israel.

No caso do fornecimento energético, as usinas de energia e siderúrgicas chinesas estão buscando alternativas ao carvão russo depois que alguns bancos chineses indicaram que vão evitar realizar compras devido às crescentes sanções impostas a Moscou.

A Rússia é a segunda maior fornecedora chinesa de carvão depois da Indonésia. Além disso, a Rússia compete com a Arábia Saudita como maior fornecedor de petróleo da China.

Moscou fortaleceu os laços comerciais com Pequim na última década. A China dobrou as compras de produtos energéticos de seu vizinho nos últimos cinco anos, chegando a quase US$ 60 bilhões.

Durante uma reunião entre Xi Jinping e Vladimir Putin realizada no mês passado, os dois líderes assinaram uma série de acordos para aumentar a oferta russa de gás e petróleo, além de trigo.

A China também é um grande comprador de grãos da Ucrânia, com mais 8,2 milhões de toneladas de milho ucraniano adquiridas no ano passado, respondendo por 29% de suas importações totais de milho.

Também importou cerca de 18 milhões de toneladas de minério de ferro da Ucrânia, ou cerca de 1,6% das compras no exterior.

A Rússia respondeu por quase 18% das importações chinesas de níquel refinado no final do ano passado, e representou cerca de 12% de alumínio e 26% de seus embarques de paládio.

A China também comprou quase 30% de seu óleo de girassol da Rússia, enquanto a Ucrânia forneceu o restante 70%.

Um eventual desabastecimento poderia colocar em sério risco a segurança alimentar de Pequim, que se tornou uma prioridade crítica para a China, especialmente porque suas importações de milho, soja e trigo saltaram para níveis recordes nos últimos anos.

Isso aumentou a vulnerabilidade da China em relação as tensões comerciais e choques de oferta.

China vulnerável em caso de desabastecimento do exterior

Os esforços para salvaguardar o abastecimento alimentar do país vão desde o aumento da produção local até a diversificação das importações, o desenvolvimento da sua indústria de sementes e a redução do desperdício alimentar.

A China também já estava tentando aumentar sua segurança energética e alimentar depois de sentir o forte aperto dos preços e do desabastecimento parcial durante a pandemia do Coronavírus.

As pressões da cadeia de suprimentos e questões geopolíticas, como a briga diplomática com a Austrália, atrapalharam a economia da China.