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Brasil quer mais comércio com Espanha e oferece de abacates a biocombustíveis

Apex identificou 418 produtos brasileiros que poderão ser vendidos ao país europeu

O presidente Lula cumprimenta a ministra espanhola Yolanda Díaz, durante cerimônia com o premiê Pedro Sánchez em Barcelona (Oscar del Pozo/AFP)

O presidente Lula cumprimenta a ministra espanhola Yolanda Díaz, durante cerimônia com o premiê Pedro Sánchez em Barcelona (Oscar del Pozo/AFP)

EFE
EFE

Agência de Notícias

Publicado em 17 de abril de 2026 às 10h00.

Em meio à atual turbulência internacional, o Brasil espera fortalecer os laços comerciais com a Espanha, aproveitando o alinhamento entre seus governos e o acordo UE-Mercosul, com uma oferta de mais de 400 produtos, que vão de frutas a biocombustíveis.

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Laudemir Müller, detalhou, em entrevista à EFE, as oportunidades que se abrem com a primeira cúpula Espanha-Brasil, realizada nesta sexta-feira em Barcelona, que antecede a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul em 1º de maio.

Müller, que assumiu o cargo neste mês, enfatizou que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o premiê espanhol, Pedro Sánchez, "têm uma excelente relação", ainda mais fortalecida pela proximidade entre "dois grandes países democráticos".

418 produtos

A Apex Brasil identificou 418 produtos com potencial de exportação para o mercado espanhol, incluindo abacates, peças de motor e carne bovina desossada.

Segundo seu presidente, o acordo UE-Mercosul eliminará as tarifas sobre 543 produtos brasileiros a partir de maio, permitindo que o Brasil aumente seu fluxo comercial com o bloco em um bilhão de dólares.

No setor agrícola, além da soja e da ração animal, o Brasil poderá oferecer sua alta produção de frutas, coincidindo com o inverno europeu, quando a disponibilidade é menor, de modo que ambos os mercados se complementem.

Müller também vê oportunidades na exportação de biocombustíveis, tanto etanol quanto biodiesel, e carne bovina para a UE.

Sobre as preocupações que o acordo gerou entre os agricultores espanhóis e europeus, o presidente da APEX Brasil considerou que "essas preocupações são muitas vezes naturais, pois são setores que não são muito bem compreendidos". E enfatizou que os produtos sensíveis possuem cotas e salvaguardas, negociadas até o último momento para evitar desequilíbrios.

Comércio Bilateral

Em termos econômicos, o comércio entre os dois países dobrou na última década, atingindo quase € 11 bilhões em 2025.

Destacam-se as vendas brasileiras para a Espanha de petróleo (37%), soja (18%), ração animal (7%) e minério de cobre (7,2%), demonstrando a importância dos setores extrativo e agrícola.

A Espanha, quinto maior destino das exportações brasileiras, será "uma das principais beneficiárias, juntamente com o Brasil", do acordo Mercosul-UE, afirmou.

"Em um contexto global complexo de aumento de tarifas, disputas e guerras, a Europa e o Mercosul, o Brasil e a Espanha estão fazendo o oposto, adotando uma postura de negociação, mais acordos e entendimento, diferentemente de outros países", afirmou.

Além disso, "o Brasil desenvolveu um modelo de agricultura tropical único no mundo, com tecnologia própria" e "uma experiência em rápido crescimento em agricultura regenerativa", afirmou Müller, observando que estão se esforçando para demonstrar que a agricultura brasileira é "integrada, sustentável, tropical e diferente", enquanto continuam a abordar suas deficiências, como a taxa "menor" de desmatamento da Amazônia desde o retorno de Lula da Silva ao poder em 2023.

Na área de investimentos, ele destacou que os investimentos brasileiros na Espanha variam do setor de proteína animal (ovos) à transformação digital, enquanto grandes empresas como Aena e Telefónica (Vivo) operam no Brasil.

Müller incentiva as empresas espanholas a investirem, pois o Brasil "está vivendo seu melhor momento" e é "um país estável, sem conflitos, com regulamentações claras e participando ativamente da busca por soluções globais, seja na transição energética, no clima ou na sustentabilidade".

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