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Após revés nas urnas, Viktor Orbán deixa cadeira no Parlamento da Hungria

Primeiro-ministro afirmou que vai se dedicar à reorganização de seu campo político

Orbán renuncia ao mandato parlamentar depois de derrota de sua coalizão (ATTILA KISBENEDEK/AFP)

Orbán renuncia ao mandato parlamentar depois de derrota de sua coalizão (ATTILA KISBENEDEK/AFP)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 13h03.

Após passar por uma derrota eleitoral expressiva, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, anunciou neste sábado, 25, que deixará também seu mandato como deputado no Parlamento.

Em vídeo publicado no Facebook, o líder nacionalista, que estava há 16 anos no poder, afirmou que decidiu devolver a cadeira conquistada como principal candidato da plataforma KDNP do Fidesz, legenda que lidera sua base política.

"Como o assento que conquistei como candidato principal da plataforma KDNP do Fidesz é, na verdade, um assento parlamentar do Fidesz, decidi devolvê-lo", declarou.

Como a derrota de Orbán pode mudar o futuro da Europa

Orbán afirmou que, neste momento, sua atuação será mais necessária fora do Parlamento, concentrada na reorganização do campo nacionalista após o revés nas urnas.

"Agora, não sou necessário no Parlamento, mas sim na reorganização do campo nacionalista", disse.

Sobre o governo de Orbán

Orbán transformou seu país, de 9,5 milhões de habitantes, em um modelo de democracia antiliberal, no qual o governo adotou uma série de medidas para cercear universidades, a imprensa e o judiciário, além de adotar medidas contra imigrantes e pessoas LGBT, o que vai contra os princípios de respeito aos direitos humanos e à democracia defendidos pela UE.

Essas questões provocaram repetidos embates com a União Europeia. No entanto, Orbán buscou transformar isso em vantagem, lançando extensas campanhas midiáticas centradas em seus  embates "com Bruxelas", nas quais se retrata como o defensor dos interesses nacionais.

Ao mesmo tempo — e por anos —, a filiação do Fidesz, partido de Orbán, à maior família política da UE, o Partido Popular Europeu (PPE), protegeu o premiê de consequências mais severas em relação ao retrocesso democrático do sistema húngaro.

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Em 2021, PPE e Fidesz romperam laços, após anos de tentativas de outros partidos-membros de pressionar Orbán a conter suas tendências autocráticas.

As repercussões foram sentidas em sua plenitude no ano seguinte, quando a UE suspendeu bilhões de euros destinados à Hungria, citando as preocupações de Bruxelas com a corrupção e o Estado de direito.

Embora o governo de Orbán tenha empreendido reformas que permitiram o desbloqueio de uma parcela desses fundos, cerca de 18 bilhões de euros (107 bilhões de reais) permanecem congelados.

*Com informações da AFP

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