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Aliado de Bolsonaro, Orbán reconhece derrota na Hungria

Peter Magyar lidera apuração dos votos e será novo premiê do país

Viktor Orbán, atual premiê da Hungria, que reconheceu derrota nas urnas
 (AFP)

Viktor Orbán, atual premiê da Hungria, que reconheceu derrota nas urnas (AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 12 de abril de 2026 às 16h37.

Última atualização em 12 de abril de 2026 às 16h57.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições para Peter Magyar, que lidera a apuração dos votos. Orbán teve apoio do presidente Donald Trump na campanha e é aliado dos Bolsonaro.

"O resultado das eleições é claro e doloroso", disse Orbán, após telefonar ao rival e conceder a derrota.

"Nos nunca desistimos. Os próximos dias serão para curarmos as feridas. Não temos o peso de governar o país, então temos de reconstruir nossas comunidades", afirmou.

Com 53,4% dos votos apurados, o partido de Magyar obtinha 136 assentos no Parlamento, ante 56 do partido de Orbán. O Congresso húngaro tem 199 vagas. A eleição teve recorde histórico de participação, com 77,8% até às 18h30, na hora local.

Magyar, de 45 anos, em dois anos conseguiu construir um movimento capaz de fazer sombra ao primeiro-ministro, cuja popularidade caiu devido à desaceleração da economia.

"Escolhemos entre o Leste e o Ocidente, entre a propaganda e um debate público honesto, entre a corrupção e uma vida pública íntegra", disse Magyar após votar em Budapeste.

Peter Magyar, candidato pelo partido Tisza, após votar em Budapeste


Peter Magyar, candidato pelo partido Tisza, após votar em Budapeste (Ferenc Isza/AFP)

Apoio de Trump

Com a derrota, chega ao fim o governo de Orbán, 62 anos, que tornou-se uma referência da direita nacionalista internacional, dentro e fora da Europa, por suas posições contrárias à imigração, sua oposição aos direitos LGBTQIA+. Ele buscava o quinto mandato.

Orbán transformou o país de 9,5 milhões de habitantes em um modelo de democracia antiliberal. Entre os dirigentes da UE, é uma exceção por sua proximidade com o presidente russo Vladimir Putin, e criticou as sanções do bloco contra a Rússia. Ao mesmo tempo, é apoiado também pelo presidente americano Donald Trump, que fez inúmeras críticas à Europa desde que voltou à Casa Branca, em 2025.

O vice-presidente americano JD Vance visitou Budapeste nesta semana para apoiar Orbán e criticar a ingerência dos "burocratas de Bruxelas".

O próprio Trump multiplicou as mensagens na sexta-feira, prometendo colocar a "potência econômica" dos Estados Unidos a serviço de Orbán, que encarna a luta contra a imigração e a defesa da "civilização ocidental".

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, com o premiê húngaro Viktor Orbán, em encontro em Budapeste


O vice-presidente dos EUA, JD Vance, com o premiê húngaro Viktor Orbán, em encontro em Budapeste (Attila Kisbenedek/AFP)

Quem é Peter Magyar?

Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem.

Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orban, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo Orban.

Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais.

Ele, no entanto, rompeu com Orbán em 2024 e criticou seu governo por um escândalo de corrupção. Em seguida, ele assumiu o controle do partido Tisza, que era pouco conhecido, e ganhou força na política.

Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, ele promete mudança, desmontando "tijolo por tijolo" todo o sistema político de Orban.

Suas mensagens nas redes sociais ressoaram emocionalmente entre seus seguidores, muitos dos quais o veem como um herói que luta por eles.

Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da UE para a Hungria.

No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Otan e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orban, que é próximo de Moscou, apesar da invasão da Ucrânia.

Assim como Orban, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita sua retórica hostil em relação a Kiev.

Sua postura anti-imigração é mais rígida que a de Orban, ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados.

No entanto, em relação aos direitos da população LGBTQIA+, sua postura tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.

Com AFP.

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