Afeganistão busca soluções para retorno de refugiados

Os 6 milhões de refugiados afegãos no exterior representam a maior taxa de deslocados no mundo

Cabul - A ONU e o Afeganistão buscam nesta quinta-feira em uma conferência que convocaram em Genebra o respaldo internacional ao retorno dos seis milhões de afegãos refugiados no exterior, o que representa a maior taxa de deslocados no mundo.

Espalhados por 90 países, os refugiados afegãos enfrentam graves problemas para retornar ao país devido ao recrudescimento do conflito interno, que dificulta os esforços do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e do governo local.

Segundo o Ministério Afegão para os Refugiados e a Repatriação (MRR), até 2006 o retorno de refugiados foi alto - com a volta de mais de cinco milhões de afegãos procedentes de Irã e Paquistão -, embora a espiral de insegurança registrada no país desde então tenha produzido uma queda nos retornos.

O principal objetivo do MRR é estabelecer e realizar uma estratégia para acelerar novamente o retorno, sobretudo desses dois países vizinhos, onde se encontra a maioria dos refugiados.

Segundo estatísticas desse ministério, no Irã vivem de maneira legal um milhão de deslocados afegãos e no Paquistão outros 1,7 milhões.

De acordo com estimativas extra-oficiais, no entanto, outros 1,4 milhões de refugiados afegãos vivem como imigrantes ilegais no Irã, e cerca de um milhão reside no Paquistão na mesma situação.

"A estratégia do MRR abrange aspectos que incluem a possibilidade de proporcionar (aos que retornam) casa, formação, oportunidades de trabalho e educação para seus filhos", explicou à Agência Efe o porta-voz desse ministério, Islamudin Jurat.

Jurat apontou que esses serviços seriam prestados em 42 centros de amparo que devem ser construídos nas 34 províncias afegãs.

O porta-voz do MRR anunciou que a estratégia de seu ministério será apresentada na conferência sobre a situação dos refugiados afegãos que começou ontem e termina hoje em Genebra com o objetivo de obter mais apoio da comunidade de nações.


O caso de Nasir Ahmad serve para exemplificar os casos daqueles que não encontraram o que esperavam após sua volta. Ele fugiu do Afeganistão com sua família em 1995 com destino ao Irã devido à situação de violência em seu país, "mas após a queda do regime talibã e a chegada do novo governo, o desejo de voltar tornou-se mais forte".

Ahmad vive agora em uma casa alugada na área de Jair Jana, no norte de Cabul, o que lhe obriga a enfrentar diariamente inumeráveis empecilhos para retomar uma vida normal.

"Enfrentamos a falta de moradia, de emprego e, principalmente, dificuldades econômicas", detalhou à Efe.

O ex-refugiado lembra, não sem certa nostalgia, seu período no Irã, onde tinha eletricidade, gás e segurança durante as 24 horas do dia, algo que não existe para ele no Afeganistão.

O retorno também foi doloroso para Sher Rahman, que, após voltar do Paquistão, se instalou no bairro de Jawaya Bughra, ao leste de Cabul e onde sobrevive em condições precárias.

"No Paquistão trabalhava em uma hospedaria e ali era feliz porque todos os dias voltava pra casa com um salário, mas aqui permaneço na rua com outros trabalhadores e como muito consigo trabalhar só dois dias por semana", contou à Efe.

O porta-voz da delegação no Afeganistão do Acnur, Nader Farhad, expressou à Efe sua preocupação com um problema a mais: o aumento desmedido de pedidos de asilo por parte de cidadãos afegãos, com um aumento de 34% em 2011 em relação ao ano anterior.

Farhad não esqueceu também de ressaltar que aos seis milhões de refugiados no exterior se somam os 500 mil deslocados internos, que permanecem em seu país, mas a quem a guerra obrigou a abandonar seu lar. 

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