Mundo

Acordo UE-Mercosul poderá ser 'congelado' após aprovação, diz site

Parlamentares europeus poderão enviar tratado para a Justiça, o que suspenderia sua implantação por até dois anos

Membros do Parlamento Europeu, durante votação em Estrasburgo, na França, nesta terça-feira, 16 de dezembro (Frederick Florin/AFP)

Membros do Parlamento Europeu, durante votação em Estrasburgo, na França, nesta terça-feira, 16 de dezembro (Frederick Florin/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 16 de dezembro de 2025 às 15h22.

Um grupo de 145 eurodeputados contrários à adoção do acordo entre União Europeia e Mercosul debatem uma forma de barrar sua implantação. Segundo o site Politico, eles planejam questionar o tratado na Justiça.

Assim, mesmo que o acordo seja aprovado, um grupo de parlamentares planeja pedir que o tratado seja analisado pela Corte de Justiça da UE, para avaliar se ele atende aos tratados fundadores do bloco. Uma decisão poderia levar até dois anos, o que congelaria o acordo.

De acordo com o site, mais de 140 eurodeputados teriam concordado com a medida, o suficiente para avançar com o pedido de análise. O Parlamento Europeu tem 720 assentos, com representantes de 27 países do bloco.

Pelo plano, o pedido de revisão seria levado para votação após a aprovação do acordo, que deve ser votado na quinta-feira, 18. Para que o pedido de análise seja aprovado, é preciso de maioria simples dos votos.

Os deputados contrários ao projeto são de partidos como o EPP (centro-direita), além de socialistas, democratas e verdes. Eles avaliam que as salvaguardas, aprovadas nesta terça-feira, 16, não são suficientes para garantir a proteção dos agricultores europeus.

Entenda o acordo

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que poderá ser assinado esta semana, facilitará a circulação de produtos entre Brasil e Europa. Juntos, os blocos representam cerca de 718 milhões de pessoas e economias que somam aproximadamente US$ 22 trilhões.

Caso o acordo seja aprovado pelas entidades europeias nesta semana, ele será assinado no sábado, 20, durante a reunião de cúpula do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá viajar para Foz do Iguaçu, onde será realizado o encontro.

O acordo eliminará as tarifas de importação para mais de 90% dos produtos vendidos entre os dois blocos. Para os demais, serão estabelecidas cotas de importação com isenção ou redução tarifária. A implementação das preferências tarifárias será gradual, com prazos de até 15 anos, dependendo do produto.

Se aprovado, o acordo pode gerar um crescimento de 2% na produção do agro brasileiro, o que representa um aumento de US$ 11 bilhões anuais, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A expectativa é de que esse tratado permita ao Brasil ampliar suas exportações agrícolas para a Europa, com destaque para setores como carnes e óleos vegetais. Ao mesmo tempo, a Europa poderá vender mais produtos, como vinhos, azeites e automóveis. Cada produto terá uma redução de tarifa diferente, aplicada em uma escala de tempo específica.

Atualmente os produtos mais vendidos do Brasil para a Europa são: petróleo bruto, café e itens relacionados à soja. Do outro lado, o país compra mais vacinas, medicamentos e autopeças.

Acompanhe tudo sobre:Acordo UE-MercosulFrançaComércio exterior

Mais de Mundo

Irã anuncia que terá negociações com os EUA nesta sexta-feira em Omã

Trump diz que líder supremo do Irã 'deveria estar muito preocupado'

Trump fala em 'toque mais suave' na política de imigração após crise em Minneapolis

Setor privado dos EUA cria menos empregos que o esperado em janeiro