Riachuelo acerta parceria com Ri Happy e mira academia para gerar valor

Guararapes anuncia migração ao Novo Mercado da B3, marketplace em novembro e negocia acordo com Smart Fit

A entrada iminente do grupo Guararapes no Novo Mercado da B3 foi comunicada na noite da segunda-feira, 26, em fato relevante publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O anúncio acelera as tratativas para que a empresa atinja um nível de governança e liquidez atrativos para investidores minoritários e, assim, aumente a disponibilidade de recursos para investimentos. Quer saber qual o potencial de valorização das ações das redes varejistas? Acompanhe nos relatórios da EXAME Research.

E os planos do presidente do conselho de administração da Guararapes, Flávio Rocha, são ambiciosos. Em videoconferência com a EXAME nesta terça-feira, 27, ele e o CFO do grupo, Túlio Queiroz, afirmaram que a entrada no Novo Mercado pode se dar com a alternativa de fazer circular 15% das ações com um volume de negociações superior a 25 milhões de reais diários.

Os executivos afirmam que esse percentual, necessário para atender as exigências do Novo Mercado para o free float (ações em circulação), hoje está na casa dos 12% levando em conta todo o controle da companhia, que, além da confecção, atua no varejo com a rede de lojas Riachuelo e a financeira Midway.

“Ainda precisamos discutir quais serão os temas [para a migração], porque estamos na fase da solicitação inicial. Temos uma pista longa para percorrer”, diz Queiroz.

Embora não cite quanto a família está disposta a abrir mão de sua parte na companhia, Rocha afirma que o float já precisará sofrer ajustes para uma “maximização do valor da empresa” por meio da criação de um “mercado dinâmico” para dar liquidez às ações.

Para ganhar musculatura e atrair investidores, sairá do papel em novembro o marketplace, no qual já estão no radar 400 marcas de diversos segmentos. De olho no Natal, Rocha adiantou à EXAME que um dos parceiros será a rede de brinquedos Ri Happy.

Plataforma de lifestyle

“Os cinco primeiros parceiros entram ainda neste ano, entre o fim de novembro e o início de dezembro. São passos no sentido de avaliar os sistemas, porque há desafios sobre a integração desse ecossistema, mas também há muitas oportunidades em cima da mesa”, explica Rocha.

“Entre as oportunidades para a criação do chamado “superapp” da rede está a integração de serviços com uma rede de academias de ginástica. Na semana passada, Rocha afirmou que recebeu executivos de uma delas para o desenho da parceria vinculada ao marketplace.

Falamos sobre a instalação de totens para retirada de produtos do nosso departamento fitness, a possibilidade de pagar as mensalidades com o cartão Riachuelo e até fazer dos personal trainers os agentes de vendas nas mídias sociais”, adianta. Fontes consultadas pela EXAME afirmam que se trata da Smart Fit, do empresário Edgard Corona, e que o plano é iniciar esse movimento no próximo ano.

Segundo Rocha, o plano de negócios da rede varejista está fundamentado em uma visão ampliada dos segmentos que orbitam em torno da ideia de “estabelecer pontes com as empresas” numa plataforma de estilo de vida. Essa plataforma permitiria agregar serviços nas áreas de pets, beleza e gastronomia, por exemplo.

“Temos fornecedores com linhas extensas de produtos, mas somos obrigados a pinçar apenas 1% do mix de produtos por causa de uma limitação física dos espaços nas lojas. No mundo digital isso não acontece”, afirma. Entre as marcas do portfólio da loja física está, por exemplo, a americana Levi’s, que pode ganhar escala.

Não quer dizer, porém, que as lojas não tenham papel importante nos planos de curto prazo. Além da expansão do segmento Riachuelo Casa, o grupo planeja abrir 120 lojas da rede americana de produtos infantis Carter’s. O acordo para operar com exclusividade a marca no Brasil foi fechado em fevereiro. “Recorrência e relevância são os pontos primordiais no novo varejo”, diz Rocha.

Falta apenas, claro, combinar com os consumidores. Ainda que ele comemore um aumento no fluxo do e-commerce da Riachuelo, que na pandemia ganhou 12 milhões de acessos, o grupo não saiu ileso do impacto da pandemia e das medidas de isolamento social. Em março, a rede teve de fechar 100% das lojas da marca. No relatório do segundo trimestre, a empresa reportou um prejuízo de 296,2 milhões de reais, revertendo os lucros de 54,9 milhões de reais no mesmo exercício do ano passado.

Os resultados do terceiro trimestre serão conhecidos no dia 11 de novembro.

“O varejo não essencial foi o mais impactado, claro. Foi uma turbulência muito forte, mas atenuamos com logística ‘puxada’, em que não há pré-alocação nas lojas, mas sim degustações de coleções. Isso tornou nosso centro logístico um pulmão para abastecer o e-commerce”, explica o executivo.

Tecnologia como alvo

Ele não faz previsões para o final do ano — a companhia está em período de silêncio para a divulgação de resultados do terceiro trimestre —, mas afirma que está no radar do grupo adquirir ou incorporar novas empresas para dar prosseguimento ao “projeto de geração de valor” que a entrada no Novo Mercado deve facilitar.

Mas, por ora, nada similar aos projetos de house of brands impetrados pela Arezzo & Co, que, na sexta-feira, 23, anunciou a incorporação da Reserva; ou pelo grupo Soma, que fechou um acordo para a compra da grife NV na segunda-feira, 26.

“Somos um laboratório perfeito para empresas de tecnologia, por exemplo, no que tange à logística. As possibilidades são múltiplas, mas acho que na perspectiva de trazer tecnologia para dentro. Uma percepção justa sobre o valor da empresa possibilita uma razão de troca transparente para aquisições. Então, sim, isso está nos planos”, completa Flávio Rocha.

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