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Soberania digital e IA: saiba quem domina o ranking global (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 23 de junho de 2026 às 14h50.
Última atualização em 23 de junho de 2026 às 14h53.
A disputa pela liderança tecnológica global ganhou um novo capítulo com a divulgação do Digital Sovereignty Index (DSI), levantamento que avalia a capacidade de 86 países de controlar sua infraestrutura digital, seus dados e o desenvolvimento de tecnologias estratégicas. O ranking mostra que a soberania digital se tornou um dos principais indicadores de poder no século XXI.
No topo da lista aparecem China, França e Rússia, cada uma representando um modelo distinto de governança tecnológica. Os Estados Unidos, apesar da força de suas gigantes de tecnologia, ficaram fora do pódio, ocupando a quarta colocação.
A China alcançou a maior pontuação do índice, com 98,43 pontos. Segundo o estudo, o país construiu um ecossistema tecnológico próprio, integrando governo, indústria e plataformas digitais nacionais. O resultado é um elevado grau de autonomia em áreas como inteligência artificial, software e governança digital.
O país também se destaca pela capacidade de coordenar investimentos em infraestrutura, formação de profissionais e pesquisa tecnológica, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. O único ponto em que ainda não alcança domínio quase total é a produção de semicondutores avançados.
Na segunda posição, com 92,18 pontos, a França representa o modelo europeu de soberania digital. Em vez de competir diretamente com as gigantes americanas e chinesas, o país utiliza a regulação como principal ferramenta de poder.
A estratégia passa por iniciativas de proteção de dados, cibersegurança e desenvolvimento de soluções de nuvem soberana. A influência da União Europeia em normas como o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) é apontada como um dos exemplos mais relevantes desse modelo.
Com 89,06 pontos, a Rússia ocupa a terceira colocação. O estudo destaca que as sanções econômicas impostas ao país nos últimos anos aceleraram o desenvolvimento de plataformas, softwares e infraestrutura próprios.
A estratégia russa tem sido baseada na substituição de tecnologias estrangeiras e no fortalecimento da capacidade estatal de controlar sistemas considerados críticos para a segurança nacional.
O Brasil aparece na 48ª posição, com 57,8 pontos. Apesar de possuir um mercado digital robusto, instituições de pesquisa relevantes e um ecossistema crescente de inovação, o país ainda depende fortemente de infraestrutura tecnológica estrangeira.
O levantamento avaliou quatro dimensões principais: hardware, software, cognição (capacidade de pesquisa e formação de talentos) e governança. O resultado reforça o desafio brasileiro de ampliar investimentos em tecnologia estratégica e reduzir a dependência de plataformas e serviços desenvolvidos no exterior.
Mais do que uma questão tecnológica, a soberania digital vem sendo tratada por especialistas como um fator de competitividade econômica, segurança nacional e influência geopolítica. Em um cenário cada vez mais conectado, controlar dados, infraestrutura e inovação pode ser tão importante quanto dominar recursos naturais ou capacidade industrial.