Imóveis: bancos voltam a expandir o crédito nos Estados Unidos (Sem Rox/ Stock Exchange)
Repórter de Invest
Publicado em 24 de julho de 2026 às 10h21.
O mercado imobiliário comercial dos Estados Unidos voltou a ganhar espaço dentro das instituições financeiras, após atravessar um período crítico de inadimplência e desvalorização dos imóveis de escritórios. Os bancos voltaram a ampliar a concessão de crédito para o setor.
O Bank of America (BofA) e o U.S. Bancorp expandiram suas carteiras de crédito imobiliário comercial em mais de 8% na comparação anual, e o avanço foi ainda maior no Truist Financial, com crescimento próximo de 25%. No PNC Financial Services Group a alta foi de 15%.
O movimento não se restringe às maiores instituições. A Mortgage Bankers Association indicou que a emissão de novos empréstimos hipotecários comerciais aumentou mais de 50% no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado.
Entre os bancos comerciais, o volume de novos financiamentos chegou a crescer cerca de 80%.
Agora esse mercado de crédito se concentra, porém, nas apostas de segmentos considerados mais resilientes, como empreendimentos residenciais multifamiliares e data centers, de acordo com informações do Wall Street Journal.
Esses imóveis residenciais multifamiliares continuam atraindo demanda, enquanto projetos industriais e, principalmente, data centers ganharam protagonismo com a expansão dos investimentos em inteligência artificial (IA).
As instituições afirmam, no entanto, que a retomada não significa um afrouxamento na concessão de crédito.
Só que a percepção de risco mudou significativamente, na visão do CEO do Citizens Financial Group, Bruce Van Saun. "Há uma espécie de despertar para a ideia de que provavelmente é seguro voltar para a água. Precisamos de ativos lucrativos e podemos encontrar alguns ativos lucrativos atraentes", disse ao WSJ.
A mudança ocorre após anos de forte cautela. O avanço do trabalho remoto depois da pandemia elevou a vacância dos edifícios corporativos, pressionou o valor dos imóveis e alimentou temores de uma onda de calotes. Como resposta, os bancos reduziram significativamente a exposição ao setor.
Dados do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mostram, ainda, que os empréstimos imobiliários comerciais nos bancos estadunidenses somavam quase US$ 3 trilhões em junho, alta de cerca de 3% em relação ao ano anterior.
Além da melhora nos fundamentos do setor, a busca por novas fontes de rentabilidade também explica o movimento. A concorrência acirrada por depósitos reduziu as margens do negócio bancário tradicional, incentivando as instituições a ampliar outras linhas de crédito.
Mesmo assim, a postura permanece conservadora. O crédito imobiliário comercial ainda representa uma parcela relativamente pequena das carteiras dos maiores bancos, e a concorrência pelas melhores operações segue elevada, na avaliação de fontes ouvidas pelo WSJ.
O Bank OZK, tradicionalmente concentrado nesse segmento, informou ao jornal ter reduzido o ritmo de novas concessões no segundo trimestre justamente por causa da disputa mais intensa entre credores.