Marketing

'Vale Tudo': como a Globo transformou a novela em um fenômeno de R$ 200 milhões

Com mais de 20 eventos de exibição pública, 287 milhões de interações nas redes e presença de ao menos 23 marcas, o remake transformou a teledramaturgia em um grande ecossistema de conteúdo e negócios

Odete Roitman (Débora Bloch) em Vale Tudo: morte da vilã gerou corrida de marcas e campanhas inspiradas no mistério (TV Globo/Reprodução)

Odete Roitman (Débora Bloch) em Vale Tudo: morte da vilã gerou corrida de marcas e campanhas inspiradas no mistério (TV Globo/Reprodução)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 18 de outubro de 2025 às 09h40.

Última atualização em 20 de outubro de 2025 às 17h57.

Priorizar nos meus resultados Google

O último capítulo de Vale Tudo, exibido nesta sexta-feira, 17, e que finalmente revelou quem matou Odete Roitman (saiba aqui), marcou o fim de uma trama que se tornou um dos maiores fenômenos comerciais da teledramaturgia brasileira.

O remake do clássico de 1988 se consolidou como o produto de maior rendimento da história da Globo na faixa das 21h, com faturamento superior a R$ 200 milhões até o mês passado, segundo estimativas do mercado, e mais de 87 ativações de conteúdo envolvendo ao menos 23 marcas.

Entre os anunciantes estiveram Itaú, Vivo, BYD, Coca-Cola, Ambev, Uber, Dove, OMO, Comfort, Amazon, Paramount, Johnson Baby, Electrolux, RAM, O Boticário, L’Oréal, Hapvida, Chilli Beans, Cimed, Abbott, Copagaz, Coral e iFood, além de ações específicas de Subway, Zé Delivery e Serasa na reta final. Na prática, houve praticamente uma ação de merchandising a cada dois capítulos.

Integração total entre ficção, publicidade e plataformas

A Globo atribui o desempenho à integração entre os núcleos de criação, roteiristas e anunciantes, o que permitiu inserções contextualizadas e multiplataforma. O modelo — testado desde 2019 e hoje considerado maduro — inclui desde cenas com produtos no enredo até breaks publicitários em que os próprios personagens aparecem.

“Quando a gente faz um combinado — TV Globo, redes sociais, Globoplay, personagem — o retorno é muito maior. Não é só inventar formato novo, é entender o comportamento”, disse Manzar Feres, diretora de Negócios da Globo, a EXAME.

A agência fictícia Tomorrow, criada para o enredo, também se tornou um ativo comercial, permitindo uma inserção mais natural de marcas em ações dentro e fora da trama. A Electrolux, por exemplo, apareceu em uma campanha com os personagens Solange e Sardinha. Já Maria de Fátima, interpretada por Bella Campos, estrelou publis em suas redes sociais, conectando o público da TV com o digital.

Embora tenha obtido sucesso comercial, o volume de inserções também gerou críticas de parte do público, que apontou excesso de publicidade e perda de imersão nas cenas. Para a Globo, contudo, as ações foram planejadas de forma a não comprometer a narrativa. A prioridade, segundo a emissora, é garantir a melhor experiência para o público, evitando publicidade descontextualizada.

Campanhas que viraram assunto nacional

As ativações extrapolaram o merchandising tradicional. A morte de Odete Roitman, exibida no dia 6 de outubro, foi seguida por um dos movimentos mais rápidos do mercado: menos de 24 horas depois, a vilã ressuscitou em um comercial do Subway, criado pela AlmapBBDO, em que aparecia viva e saboreando um sanduíche. “Sub de 30. Quem morre é a sua fome”, dizia o filme — exemplo da sinergia entre narrativa e publicidade que marcou o projeto.

Outras marcas também associaram-se diretamente ao suspense final. OMO, iFood, Dove, Itaú, Zé Delivery, Subway e Serasa lançaram campanhas inspiradas no “quem matou Odete Roitman?”, reforçando o caráter coletivo da conversa em torno da novela.

Os resultados vieram em números. Zé Delivery registrou aumento de 65% nos pedidos e 44% de novos consumidores; a Vivo obteve 60% de conversões via QR Code durante o break contextualizado; Electrolux atingiu 20 milhões de pessoas na TV e 10 milhões no digital; e Comfort teve crescimento de 140% nas buscas e 254% em cadastros.

Audiência, engajamento e eventos ao vivo

Vale Tudo também foi um sucesso de audiência e engajamento. A novela alcançou 146 milhões de pessoas e marcou 30 pontos no PNT, segundo a Kantar Ibope — o melhor desempenho de uma trama das nove desde janeiro de 2024. No digital, tornou-se o conteúdo mais assistido do Globoplay em 2025, com o horário das 21h crescendo 23% em consumo no streaming.

Nas redes, o levantamento da Ativaweb Inteligência Digital registrou 287 milhões de interações em 30 dias, com 43% do público entre 18 e 34 anos. No TikTok, já são mais de 73 mil vídeos espontâneos sobre a trama.

O encerramento virou um espetáculo nacional. A Globo organizou mais de 20 eventos públicos em parceria com afiliadas e shoppings, de Manaus a Porto Alegre, com telões, distribuição de pipoca, totens instagramáveis e DJs tocando a trilha sonora da novela.

O retorno da novela como ativo de marca

O impacto comercial de Vale Tudo ocorre num momento de recuperação financeira da Globo, que registrou R$ 17,3 bilhões em receita líquida em 2024, alta de 8%, e lucro 152% maior que no ano anterior, conforme mostrou o prêmio Melhores e Maiores da EXAME.

No mercado como um todo, a publicidade movimentou R$ 11,9 bilhões em pedidos de inserção no primeiro semestre de 2025, segundo o Cenp-Meios, com a televisão ainda na liderança, concentrando 42% dos investimentos.

Para a Globo, Vale Tudo representa um modelo de negócio em que o conteúdo volta a ser o principal vetor de receita. Com a missão cumprida, a emissora agora aposta em Três Graças, nova novela das nove, para herdar o ecossistema criado em torno do remake — uma combinação de audiência massiva, narrativa integrada e potencial de ativação que mostrou a força das novelas como plataforma de marca.

Acompanhe tudo sobre:estrategias-de-marketingNovelasPublicitários

Mais de Marketing

Show de drones com marcas em adeus de Messi revolta fãs

Com NBA, Nestlé fecha sua maior parceria global no esporte

Spotify leva estratégia de superfãs para festival inédito no Brasil

Pague Menos transforma 'propaganda espontânea' em R$ 4,46 milhões em vendas