Marketing

Telecom Americas lança nova marca e quer 30% do mercado

A Telecom Americas, operadora de telefonia celular controlada pela mexicana América Móvil e que possui cinco empresas de telefonia no Brasil, lançou sua nova marca no país. A Claro irá concorrer com TIM, Oi e Vivo e consumiu 40 milhões de reais em investimentos para criação e divulgação do novo nome. Fazem parte da Claro […]

EXAME.com (EXAME.com)

EXAME.com (EXAME.com)

DR

Da Redação

Publicado em 9 de outubro de 2008 às 09h54.

A Telecom Americas, operadora de telefonia celular controlada pela mexicana América Móvil e que possui cinco empresas de telefonia no Brasil, lançou sua nova marca no país. A Claro irá concorrer com TIM, Oi e Vivo e consumiu 40 milhões de reais em investimentos para criação e divulgação do novo nome.

Fazem parte da Claro a Tess (que atua no interior de São Paulo), a Americel (na região Centro-Oeste), a BCP Nordeste (Alagoas, Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí), a ATL (Rio de Janeiro e Espírito Santo) e a Claro Digital (Rio Grande do Sul). As cinco empresas passarão por um processo gradativo de mudança da marca. A partir de outubro, três novas áreas entrarão em serviço, sob o nome Claro: a região metropolitana de São Paulo, os estados de Santa Catarina e Paraná e os estados da Bahia e Sergipe. "Montamos uma estratégia de marketing inédita no mundo: envolve o lançamento de uma nova marca, a entrada em regiões onde a empresa ainda não atua e a mudança dos nomes das operadoras que já estão no mercado", afirma Roberto Guenzburger, diretor de marketing da Claro.

Segundo ele, a mudança do nome das cinco operações já começou. "Antes da apresentação para o mercado em geral, demos prioridade para os clientes, funcionários e a rede de revendedores", diz ele. Uma primeira correspondência foi enviada aos clientes em julho e outra comunicação, apresentando o novo logotipo, será enviada a partir de hoje. As marcas nas lojas conviverão por um tempo, antes que os antigos nomes sejam totalmente abandonados. "Queremos fazer a mudança de maneira que o nosso cliente a perceba como uma vantagem e não uma imposição", afirma Carlos Henrique Moreira, presidente da Claro.

Os trabalhos da Claro para chegar à nova marca começaram em setembro do ano passado e a escolha do nome foi feita após uma série de pesquisas junto ao mercado que avaliaram nomes - inclusive os cinco que já compunham a Telecom Americas - que melhor correspondessem ao novo posicionamento da empresa. O nome Claro, que vem da operadora gaúcha Claro Digital, foi o que teve melhor desempenho.

Estratégia de negócios

A nova marca, portanto, tem duas missões: captar novos clientes nos mercados onde os mexicanos passarão a atuar a partir de outubro e satisfazer a atual base de usuários. Somadas as cinco operações da empresa, a Claro conta hoje com 6,7 milhões de clientes e ocupa a vice-liderança do mercado brasileiro de telefonia celular (a maior operadora em número de clientes é a luso-espanhola Vivo, com 16 milhões de usuários). De acordo com números da empresa, possui cerca de 18% de participação no mercado e quer chegar a um terço em dois anos.

Para crescer no país, a Claro aposta em basicamente três fatores: demanda, produto e capital investidor. Nas palavras de Moreira, o Brasil tem potencial de crescimento no segmento de celulares porque a penetração ainda é baixa (em torno de 23%, enquanto a Europa possui índices de penetração na ordem de 80% e os Estados Unidos, 50%). "A demanda, apesar das barreiras econômicas do país, como a má distribuição de renda, é farta", afirma ele. Para ganhar num mercado restrito pelo poder econômico dos consumidores, a Claro - numa estratégia que vem de sua controladora mexicana - investe prioritariamente em um produto: o telefone pré-pago. "O pré-pago é um ótimo negócio, desde que se saiba administrá-lo", diz Moreira. "O crescimento da planta brasileira atual se dá quase que exclusivamente pelo pré-pago." Segundo o executivo, 80% da base atual de usuários da Claro são de pré-pago. No México, a America Movil opera com 92% de clientes neste modelo de negócio.

Por fim, o terceiro fator no qual a Claro aposta para crescer no Brasil é o poder financeiro e a experiência de mercado de seu controlador, a America Movil. Com 37 milhões de clientes, suas operações estão concentradas na América Latina (México, Guatemala, Nicarágua, Equador, Colômbia, Argentina e Brasil, que é o responsável por 16% da receita global da companhia). A America Movil, portanto, cresceu em mercados instáveis economicamente como o Brasil e vendendo telefones pré-pagos. "Melhor do que ter um sócio do ramo é ter um sócio que sabe como lidar com um mercado como o do Brasil", afirma Moreira.

Segundo informações da companhia, a America Movil tem valor de mercado de 14 bilhões de dólares, uma receita de 3,5 bilhões de dólares semestrais e é uma das poucas empresas do setor que não possui dívida no curto prazo. A dívida líquida da empresa é de 2,9 bilhões de dólares e sua maior parte, de acordo com o diretor financeiro Alfonso Gallardo, está estruturada em bônus de sete anos no mercado de capitais mexicano.

A estabilidade financeira da America Movil garante o investimento na expansão no Brasil. Desde de que chegou ao país, em 2000, a America Movil investiu 5 bilhões de dólares - dos quais 4 bilhões foram destinados ao pagamento das licenças de serviços compradas do governo. Em 2003 e 2004, a Claro irá investir 500 milhões de dólares na modernização de sua atual rede e na implantação das redes das novas operações.

Nova tecnologia de rede

Os investimentos da Claro na infra-estrutura de suas redes atuais são para fazer o que os técnicos chamam de overlay - que nada mais é do que uma sobreposição de tecnologias. As atuais redes da Claro operam com tecnologia digital de primeira geração, chamada TDMA. A partir de outubro, uma outra tecnologia, de segunda geração, estará disponível aos usuários da mesma rede: o GSM, que já é usado por operadoras como a Oi e a TIM. "As duas tecnologias funcionarão juntas e nenhum usuário precisará abandonar a tecnologia atual. Em caso de migração de uma para outra, o número de telefone será mantido", afirma Marco Aurélio Quatorze, diretor de serviços agregados da Claro. De acordo com ele, a nova rede GSM será inaugurada em sua versão mais moderna, que permite a transmissão de dados em alta velocidade.

Acompanhe tudo sobre:[]

Mais de Marketing

Copa 2026: LEGO lança sets de Messi, CR7 e Vini Jr.; veja preços

Uber surgiu em Uberlândia? Empresa vira nome de clube centenário em Minas

Uber fecha naming rights com clube brasileiro que já tem 'Uber' no nome há 103 anos

Feliz Dia da Mentira: brincar é decisão estratégica, não criativa