Julian Pistone: especialista em liderança, ex-executivo do Google é um dos palestrantes do Rio Innovation Week 2026 (Arquivo pessoal)
Repórter de Marketing
Publicado em 27 de julho de 2026 às 18h11.
Última atualização em 30 de julho de 2026 às 09h42.
A inteligência artificial tornou mais fácil produzir algumas campanhas, garantindo uma espécie de perfeição em imagens e textos. Mas, para Julian Pistone, especialista em liderança, ex-executivo do Google e um dos palestrantes do Rio Innovation Week, a IA também está criando um paradoxo: nunca foi tão fácil produzir conteúdo em escala, mas nunca foi tão difícil ser notado.
Depois de quase 20 anos no mercado de tecnologia, a maioria deles em posições de liderança no Google, Pistone fundou a Courage X, empresa que oferece programas de desenvolvimento de liderança e tomadas de decisão para líderes globais. E, claro, entre os principais temas que o especialista trata está a tomada de decisões em um cenário dominado por projeções envolvendo IA.
Em entrevista à EXAME antes da participação no festival carioca, que acontece de 4 e 7 de agosto, Pistone defende que, à medida que a tecnologia torna a produção de conteúdo praticamente ilimitada, o diferencial competitivo deixa de estar na execução e passa para atributos mais difíceis de replicar: intenção, autenticidade e coragem para assumir um posicionamento.
“As pessoas não se conectam necessariamente com o conteúdo mais polido. Elas costumam se conectar com aquilo que permite reconhecer a própria humanidade”, afirma.
Na avaliação de Pistone, o caminho para empresas manterem uma marca verdadeiramente humana passa pela imperfeição.
“Pense em um trabalho manual. Muitas vezes, o resultado não é perfeito, mas é mais humano. É mais cru, mais texturizado e menos convencional. Acho que é exatamente por isso que as pessoas criam uma conexão emocional maior com objetos feitos à mão”, analisa.
“Pequenas imperfeições funcionam como sinais de autenticidade.”
Imperfeições também valem para as lideranças. Segundo Pistone, o medo de errar pode impedir líderes de decidir rapidamente. E velocidade, na era da IA, é algo importante.
“Na era da IA, ter coragem significa ser capaz de tomar uma decisão sem saber qual será o resultado, e assumir a responsabilidade por isso”, diz. “A tecnologia mostra o que é possível. Mas os seres humanos ainda decidem qual futuro vale a pena construir.”
Para o executivo, a tecnologia não substitui a capacidade de julgamento. Isso significa, especialmente para as marcas, que a criatividade continuará importante, mas será cada vez mais orientada por posicionamento, visão estratégica e coragem para escolher um caminho entre inúmeras possibilidades geradas pelas máquinas.
"A IA consegue criar cem versões de uma campanha e descobrir qual gera mais cliques. Mas ela não define valores, não faz julgamentos éticos e não assume as consequências de uma decisão. Esse é o diferencial humano."
Por fim, Pistone destaca que um erro comum muito comum das lideranças é reduzir branding à comunicação externa. Segundo ele, em uma época em que ferramentas de IA tornam simples criar campanhas visualmente sofisticadas, a diferença passa a estar na coerência entre promessa e experiência.
Assim, mesmo que a IA facilite a construção de uma imagem atraente, dificilmente a tecnologia substituirá uma identidade construída com consistência.
"Uma marca não é apenas a fachada. É o que acontece quando o cliente entra. É a experiência do consumidor, dos colaboradores, as decisões da liderança e a forma como a empresa reage quando algo dá errado."