Marketing

Em Cannes, Musk explica por que xingou anunciantes e tenta aproximação com o mercado publicitário

Aparição de magnata no Cannes Lions é vista como uma tentativa de reconquistar marcas para a plataforma X, cuja receita com publicidade caiu quase 50% em 2023

Elon Musk em conversa com Mark Read durante o Cannes Lions International Festival Of Creativity 2024 (Marc Piasecki/Getty Images)

Elon Musk em conversa com Mark Read durante o Cannes Lions International Festival Of Creativity 2024 (Marc Piasecki/Getty Images)

Rafael Davini
Rafael Davini

Chief Sales Officer (CSO)

Publicado em 19 de junho de 2024 às 11h16.

Última atualização em 19 de junho de 2024 às 11h27.

Tudo sobreCannes Lions
Saiba mais

CANNES - Elon Musk, proprietário do X (antigo Twitter), adotou um tom moderado ao conversar com Mark Read, CEO da WPP, nesta quarta-feira,19, em painel durante o Cannes Lions Festival Internacional de Criatividade 2024, na França. Os líderes abordaram temas como liberdade de expressão, as novas fronteiras da inovação e o impacto da inteligência artificial (IA) no futuro da humanidade.

Read iniciou a conversa questionando Musk sobre seu comentário insultuoso aos anunciantes durante participação na conferência DealBook Summit no ano passado. Na ocasião, ele respondeu de maneira abrupta com um “go f**k yourself” ("vá se foder", na tradução) às marcas que optaram por interromper os anúncios em sua plataforma, o que levou Read a perguntar o motivo da resposta. Musk justificou sua reação explicando que a mensagem era direcionada apenas às empresas que não apoiavam a liberdade de expressão.

Ao que tudo indica, o magnata compareceu ao Cannes Lions esta semana com a missão de tranquilizar, e reconquistar, os anunciantes, após muitos terem abandonado o X devido a preocupações com a segurança das marcas e às suas postagens controversas. Em DealBook, Musk ainda mencionou o CEO da Disney, Bob Iger, que retirou seus investimentos publicitários do X, afirmando que as marcas que cessavam a publicidade no antigo Twitter por essas preocupações estavam, na verdade, cometendo "chantagem".

Segundo estimativas da Fidelity Investments, a receita com publicidade da X despencou quase 50% em 2023, e seu valor de mercado provavelmente caiu cerca de 70% desde que Musk a comprou em 2022. A plataforma compete com outros gigantes da mídia social como Meta, Snap e Reddit por verbas publicitárias.

Em conversa com o CEO da WPP nesta quarta, Musk pareceu mais conciliador e destacou os "usuários influentes" da plataforma, bem como suas capacidades avançadas de direcionamento de anúncios. Ele esclareceu que seu comentário anterior não foi direcionado "aos anunciantes como um todo", mas especificamente àqueles que "insistem na censura" e enfatizou a importância do X permanecer como uma "plataforma de liberdade de expressão, onde pessoas com uma ampla gama de opiniões possam expressar suas ideias".

"Os anunciantes têm o direito de aparecer ao lado de conteúdos que considerem compatíveis com sua marca. Isso é totalmente válido. O que não é válido é insistir que não pode haver conteúdo com o qual discordem na plataforma", disse. "Se houver uma escolha entre censura e dinheiro ou liberdade de expressão e perder dinheiro, vamos optar pela segunda opção... essa foi a decisão moral correta."

A mensagem do bilionário para os anunciantes que abandonaram a X, caso da Apple, é que a plataforma "vale a pena ser experimentada". “Se você está tentando alcançar os tomadores de decisão seniores, se deseja alcançar as pessoas mais influentes do mundo... então a plataforma X é de longe a melhor”, falou Musk. Ele também salientou que a segurança das marcas é "crítica" e insistiu que "todos os avaliadores independentes deram nota A+ em segurança de marcas".

A conversa seguiu para o papel transformador da IA. Para Musk, a tecnologia tem o potencial de melhorar a execução de tarefas em diversas áreas. “Em uma era de abundância, ter a IA para executar melhor as coisas, não importa com o que você esteja envolvido, é uma grande jogada”.

Ele também mencionou que o X está trabalhando no uso de IA para melhorar suas capacidades de direcionamento de anúncios. "Anteriormente, com o Twitter antigo, essencialmente não havia direcionamento ou correspondência de usuários para anúncios", explicou ele. "Estamos muito focados em mostrar anúncios para pessoas que considerem interessantes."

Ao falar sobre a aceitação de novas tecnologias, Musk lembrou que, anos atrás, a ideia de carros elétricos parecia improvável, mas hoje é uma realidade consolidada. Seu conselho para os jovens criadores é abraçar a IA, vendo este momento como uma transição para uma nova era em que a tecnologia auxiliará os humanos a serem melhores em qualquer área de atuação.

Acompanhe tudo sobre:Cannes Lionselon-muskAnúncios publicitáriosInteligência artificial

Mais de Marketing

Como se antecipar e identificar tendências de mercado antes da concorrência?

Pizza Hut dará pizza grátis para quem tiver tatuagem da iguaria

PMEs aumentam investimento em publicidade e veem alta na aquisição de novos clientes

Stanley dobra aposta na Geração Z e lança copo Quencher com Olivia Rodrigo

Mais na Exame