Comprar fãs ou seguidores nas redes sociais vale a pena?

Um usuário decide ganhar 10 mil followers no Twitter. Ele vai até um desses sites, assina o serviço e recebe os 10 mil seguidores

São Paulo – A oferta é tentadora. Imagine a seguinte cena: depois de sair de uma reunião com seu cliente, que está sedento por mais fãs e seguidores nas redes sociais, você se depara com um anúncio no Google que promete fãs por um valor pequeno. “10.000 seguidores por R$ 120”, diz a propaganda. À primeira vista, a oferta parece tentadora.

Em contato com estas empresas, elas dizem que não há problema algum. Muitos políticos, atores, apresentadores “e principalmente cantores” já adquiriram este tipo de serviço, revela um dos sites que oferece este tipo de serviço.

Tudo funciona como uma troca. Um usuário X, por exemplo, decide ganhar 10 mil followers no Twitter. Ele vai até um desses sites, assina o serviço e recebe os 10 mil seguidores.

Porém, o site passa a acessar sua conta automaticamente e seguir outras pessoas que pagaram pelo serviço também. “Apesar da captação dos seguidores não ser por interesse, os seguidores sabem que estão lhe seguindo“, diz outra empresa em e-mail de contato.

Ou seja, fãs e seguidores a qualquer preço, para deixar relatórios pomposos e vistosos.

Vale a pena? É legal?

A primeira coisa a se pensar é que gastar um bom dinheiro como forma de investimento na fanpage de seu cliente não é um pecado. Pelo contrário.

“Combinando os esforços de mídia proprietária (owned media), mídia espontânea (earned media) e mídia paga (paid media) é possível fazer com que páginas cresçam a partir das próprias relações sociais. Nossos clientes têm 100% de sua base proprietária construída a partir desse esforço combinado, sendo que a mídia paga representa tanto quanto a mídia proprietária e a mídia espontânea”, explica Gustavo Fortes, sócio diretor da Espalhe Marketing de Guerrilha, responsável pela fanpage com maior número de fãs do Brasil, a do Guaraná Antarctica.


Fortes ressalta, porém, que a compra a ser feita é a de mídia. “Comprar mídia (paid media) para aumentar a base proprietária (fãs no Facebook, seguidores no Twitter, assinantes no Youtube etc) é válido porque as marcas precisam de abrangência/alcance para suas mensagens”.

Ou seja, não é recomendável comprar fãs, mas pensar num anúncio no próprio Facebook direcionado ao seu público alvo, por exemplo, seria bastante útil.

No Youtube, por exemplo, crie um vídeo ad do filme de seu cliente. Repare que campanhas com grandes visualizações no site do Google, geralmente, são divulgadas com a ajuda de ads no próprio Youtube.

A compra de fãs é algo simplório, explica Pedro Ivo Resende, diretor executivo da RIOT. Ela é baseada apenas em um processo quantitativo, cumulativo.

“Não há qualquer filtro ou seleção na aquisição desses usuários. Sendo assim, grande parte das contas acaba conquistando um público que não corresponde ou está interessado em seus produtos e serviços, o que leva a um esforço sem retorno efetivo no final do dia”, analisa.

Vale lembrar ainda que comprar fãs, likes ou seguidores é arriscado, pois as grandes redes sociais são contra e, inclusive, já baniram perfis e fanpages “por conta de uso desse tipo de ação”, conforme explica Eliel Gonçalves, Gerente de Mídia da Agência CASA, empresa digital do Grupo JWT responsável pela gestão de contas digitais como a da Petrobrás.

“Tanto o Facebook quanto o Twitter regularmente filtram e expurgam das páginas e contas os usuários que foram vendidos nessa espécie de mercado negro. Até porque esse tipo de prática concorre e interfere com o modelo de negócio deles, baseado em mídia”, explica Pedro.


Se não posso comprar fãs, o que devo fazer?

Engajamento é a chave. E não banque o filantropo, peça ao seu cliente recursos para engajar. Sim, não basta ter uma boa gestão da fanpage, uma boa lábia com seus consumidores, se isto não for divulgado.

O segredo é fidelizar o cliente à sua marca e não a uma plataforma. “Empresas com Apple, Coca-Cola, Starbucks são admiradas em qualquer plataforma. Vi uma frase de Simon Sinek que dizia: ‘O objetivo não é fazer negócios com todo mundo que precisa do que você tem e sim fazer negócios com pessoas que acreditam no que você acredita’”, diz Gonçalves.

“Curta e ganhe”: ATENÇÃO!

Tome cuidado com as promoções. O Facebook, por exemplo, possui regras específicas para a criação de ações do tipo. É preciso conhecer os termos, um dado interessante é que você não deve usar os recursos ou as funcionalidades do Facebook, como o botão Curtir, como um mecanismo de votação para uma promoção. Há risco de suspensão da fanpage.

Qual o valor do fã?

“Certamente não tem valor”, diz Gustavo. “Quando se investe em uma base proprietária, o que se procura é um público dentro do target. Se alguém está ‘vendendo seguidores’ aos lotes, sem saber quem é quem, qual o perfil e qual a qualidade dessa futura audiência, está se jogando dinheiro fora e, provavelmente para alguém que está burlando os termos de uso das plataformas sociais”, complementa o sócio da Espalhe.

Um dos sites analisados pela reportagem do Adnews vende 100 seguidores por R$ 0,34. ”Uma pessoa que me custou 0,34 centavos pode me trazer um valor enorme se for um advogado da minha marca, alguém que propaga o meu conteúdo, alguém que acredita nos mesmos valores que eu acredito. E talvez 100 pessoas que me custaram os mesmos 0,34 centavos podem não me trazer ganho nenhum. Enfim, o valor é mais difícil de mensurar mas a questão aqui é que estou disposto a gastar mais, seja em mídia, conteúdo, ações de engajamento para trazer 10 pessoas que são realmente as pessoas que eu quero me seguindo do que 100 pessoas que só estão ali para fazer número”, explica Eliel.

O barato, às vezes, pode sair caro.

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