Agronegócio deve ter marketing voltado para centros urbanos

Atividade é responsável por colocar Brasil no cenário internacional, mas ainda não fala a língua da população urbana

Rio de Janeiro - Os campos do interior do Brasil não são mais sinônimo de atraso. Com o surgimento do agronegócio no país, há cerca de 30 anos, o segmento se modernizou, utilizando novas técnicas agrícolas, produção em massa e investimento em maquinário pesado.

A cidade também mudou sua percepção em relação ao campo, embora prevaleçam ainda alguns estereótipos. Esses são dados da pesquisa “O que a cidade pensa do agronegócio”, realizada pelo Núcleo de Estudos de Agronegócios da ESPM, em conjunto com o Centro Avançado de Estudos da ESPM (CAEPM).

A atividade foi responsável por colocar o Brasil entre as lideranças das nações emergentes. Atualmente, o estado do Mato Grosso é responsável por 8% da produção de soja no planeta.

No mundo, o agronegócio movimenta US$ 15 trilhões, dos quais o Brasil teve participação de US$ 500 bilhões, em 2010. O total representa 25% do PIB nacional e supera o PIB de países como Suíça, Suécia e Bélgica e Argentina.

Há aspectos relevantes da atividade que podem ser levados em conta na criação de um plano de marketing, como a geração de empregos e o desenvolvimento que a atividade propicia, e a representatividade que o país possui no cenário internacional.

Também se deve ater ao fato de que sem o agronegócio, o Brasil não poderia alimentar sua população urbana, opinião manifestada por 79,2% dos entrevistados.

Oportunidades do setor

O estudo foi conduzido em duas fases, uma qualitativa, com grupos da classe C de São Paulo, e outra quantitativa, com membros da classe AB, em um evento da ESPM. As diferenças verificadas entre os segmentos de renda não foram significativas e os grupos reconhecem a importância econômica e social do agronegócio. Também afirmam que o meio oferece oportunidades de carreira, pesquisas e marketing.


Apesar do crescimento da atividade, tanto os consumidores emergentes quanto as elites ainda enxergam o agronegócio como algo distante de sua realidade, embora reconheçam sua importância.

Para cerca de 66,3% dos entrevistados na etapa qualitativa, a atividade nunca foi vista como possibilidade de carreira. “As pessoas conhecem o agronegócio, sabem que ele faz parte de uma cadeia produtiva, mas as mesmas não se reconhecem dentro dela”, explica o Professor José Luiz Tejon.

Cabe ao marketing das empresas ter uma visão estratégica do aproveitamento dos nichos deste mercado. Outro ponto de trabalho é demonstrar a viabilização dos negócios no “novo campo” brasileiro para investidores e o apoio ao micro e pequeno empreendedor.

Estratégias para além da “porteira”

Para amenizar o hiato entre a cidade e o campo, as estratégias das empresas devem ser voltadas para uma conscientização do consumidor a respeito da cadeia produtiva.

As companhias devem ter mente que o seu target está nos grandes centros urbanos e, ao mesmo tempo, falar a língua deste público. “Não adianta apresentar números sobre exportação de grãos ou gado se esse tipo de assunto não faz parte da rotina do consumidor urbano”, afirma Tejon.

A preocupação deve ir além das questões relacionadas ao conhecimento. O que o cidadão urbano pensa do agronegócio também reflete no governo do país. A maior massa de votos pertence às áreas urbanas e a atividade é dependente da vontade política. Outro fator que corrobora para o fraco envolvimento da população urbana é a ausência de um plano de comunicação por parte das empresas e setores responsáveis.

Mesmo pensando dessa maneira, existe uma atitude muito positiva em relação à atividade. Um total de 83,1% acredita que o agronegócio oferece boas oportunidades de emprego, em áreas como agronomia, veterinária e gerência agrícola.


Já para 58,5% dos entrevistados, formas de cultivo e extração diferentes como agricultura familiar, indígena e o agribusiness podem coexistir sem atrito, embora a realidade seja outra.

Agronegócio movimenta economia local e internacional

O agronegócio gerou desenvolvimento em regiões que antes haviam sido abandonadas, após o êxodo rural, e trouxe representatividade para o interior do país. “A atividade permitiu o surgimento de cidades como Correntina e Barreiras, que não existiam no Brasil Central há cerca de 25 anos atrás”, comenta o professor.

O varejo local também é beneficiado pelos investimentos do agronegócio. Ele possibilita a criação e movimentação de mercados locais, nos setores de serviços, comércios e transportes. Hoje, a maioria dos produtores não vive mais nas fazendas, mas sim nas áreas urbanas criadas pela atividade. Com maior acesso à informação, os filhos dos agricultores puderam se tornar os jovens investidores que movimentam a economia local.

Outro benefício gerado pelo segmento é o grande número de exportações. Além da soja, o Brasil ainda ocupa a liderança na vendas internacionais de açúcar, café em grãos e suco de laranja.

O país também está na segunda posição nos segmentos de carne bovina, tabaco e etanol, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo o órgão, entre janeiro e novembro de 2010, a atividade gerou um montante de US$ 70,3 bilhões somente em exportações. 

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