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Ricardo Schweitzer: 'Não jogue fora o bebê junto com a água'

Gaste menos tempo acompanhando cotação e noticiário político e mais tempo acompanhando o que as empresas nas quais você investe estão fazendo
'Tenha certeza: não se encontrarão iguais todas as embarcações quando a tempestade passar' (Getty Images/Jules Kulcsar / EyeEm)
'Tenha certeza: não se encontrarão iguais todas as embarcações quando a tempestade passar' (Getty Images/Jules Kulcsar / EyeEm)
Por Ricardo Schweitzer*Publicado em 12/03/2022 13:42 | Última atualização em 12/03/2022 13:42Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Investir no Brasil não é tarefa fácil.

Os últimos anos, marcados pela pandemia, foram de grandes desafios para as empresas. Todos os ramos de negócios sentiram impactos, de maior ou menor magnitude. E não é pequeno o número de empresas que se reinventaram para se adaptar à nova conjuntura.

Ao longo de 2021, as coisas melhoraram – e essa percepção é renovada pela temporada de resultados do quarto trimestre, ora em curso. Por um lado, a superação das fases mais restritivas da pandemia permitiu a retomada de muitas frentes de negócios. Por outro, as lições de casa cumpridas pelas empresas vão se traduzindo em geração de valor.

Como analista, sempre privilegiei o chamado bottom-up ao top-down. Ou seja: o processo de análise é “de baixo para cima”, focando nas iniciativas internas das empresas, nas dinâmicas de seus mercados específicos de atuação etc. A essa abordagem se opõe a turma que olha primeiro para o macro: a macrotendência desta ou daquela maneira beneficia ou prejudica este ou aquele setor e dita as alocações.

Veja bem: não são coisas excludentes; são faces opostas da mesma moeda. O micro é o barco; o macro é a correnteza, que ora favorece, ora oferece resistência – mas, a rigor, só deveria mudar definitivamente o rumo de quem não tem propulsão própria; quem se vê à deriva.

Mas eis que, não bastasse o Brasil ser pródigo em tempestades (e que tempestades!), vivemos um momento de tribulação global.

O agudo momento de aversão a risco que vivemos globalmente, por causa principalmente do conflito entre Rússia e Ucrânia, tem forçado investidores a deixarem de lado o micro e voltarem suas atenções ao macro.

Nessas horas prevalece o top-down: o mercado trata igualmente empresas diferentes, sob o pretexto de estarem sujeitas aos mesmos fatores macroeconômicos. Isso tem sido visto de maneira bastante ampla nos mais diversos setores representados em nosso mercado de capitais, com companhias de desempenho operacional bastante distintos entre si sendo penalizadas em seus valuations em magnitudes muito semelhantes.

Em meio às marés bravias, o mercado trata todos de maneira igual. Joga fora o bebê junto com a água suja.

Mas tenha certeza: não se encontrarão iguais todas as embarcações quando a tempestade passar.

Haverá aquelas que simplesmente atravessarão essa fase turbulenta sem grandes danos nem atrasos significativos. Outras, por sua vez, terão alongado suas viagens buscando zonas menos agitadas para cruzar. Algumas julgarão mais prudente mudar o porto de destino.

Mas esse longo processo de separação do joio do trigo só ocorrerá quando as coisas estiverem mais calmas. Até lá, o que eu me proponho a fazer é esperar.

Se você está inquieto com o desempenho recente de sua carteira de ações, o melhor conselho que posso lhe dar é: gaste menos tempo acompanhando cotação e noticiário político e mais tempo acompanhando o que as empresas nas quais você investe estão fazendo.

O momento não poderia ser mais propício: os resultados do quarto trimestre estão aí para serem lidos, digeridos, entendidos. Menos homebroker, mais call de resultados. Menos noticiário, mais releases e balanços.

Este, aliás, é o melhor remédio que pode existir para aquela insegurança que surge diante de preços que seguem caindo depois de já terem caído muito mais do que esperávamos.

E, por óbvio, fique atento: se todo mundo está apanhando junto, talvez haja coisa boa ficando relativamente mais barata que coisa ruim. Os preços relativos convidativos podem ensejar trocas.

Também vale a pena ter em mente que tende a sofrer mais quem promete mais: ao que tudo indica, caminhamos para um mundo de juros reais mais altos. Se grande parte do valor da sua tese está no futuro distante (aquelas histórias de crescimento faraônico…), o impacto no valuation tende a ser maior do que em empresas cujos resultados são mais tangíveis a curto e médio prazo.

Este também é um bom momento para reavaliar sua tolerância ao risco. É fácil se autointitular investidor arrojado com o mercado para cima. É nessas horas que a gente descobre o que o nosso estômago realmente aguenta.

Não perca de vista: por mais que o roteiro pareça inédito, nada do que estamos vivendo é inteiramente novo. Já aconteceu, com variações sobre o mesmo tema, e acontecerá de novo incontáveis vezes.

E passou.

Desta vez também vai passar.

*Ricardo Schweitzer é analista CNPI, consultor CVM e investidor profissional. Escreve para a EXAME Invest a cada duas semanas.

Twitter: @_rschweitzer
Instagram: @ricardoschweitzer