Lula com pastores evangélicos (Reprodução/Instagram)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 15h23.
Última atualização em 16 de setembro de 2026 às 15h30.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 16, que respeita a fé das pessoas e, por isso, se recusa a fazer campanha em igrejas. Lula, que é católico, recebeu 20 pastores e pastoras evangélicos em um evento no Palácio do Planalto. A reunião ocorre em meio à pressão sobre a campanha petista com os resultados de empate numérico entre Lula e Flávio nas pesquisas de intenção de voto.
"Eu me recuso toda vez que pedem para alguém ir numa igreja falar de política. Eu não vou porque eu respeito muito a fé das pessoas. Respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus. Então, não me convide para ir numa assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem na católica, nem na evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas", afirmou o presidente.Lula disse que se quiser fazer política e comício, faz nas ruas. "Na igreja eu não faço, em nenhuma igreja. Porque eu acho que cada ser humano tem que ter o seu momento de paz para com Deus", ressaltou Lula.
O petista já teve apoio de lideranças de grandes igrejas evangélicas do país em mandatos anteriores, mas desde o impeachment de Dilma e o crescimento do antipetismo, os líderes das principais denominações religiosas passaram a endossar candidatos da direita, em especial Jair Bolsonaro. É o caso das igrejas Universal do Reino de Deus, Mundial, Renascer em Cristo e vertentes da Assembleia de Deus.
Nos últimos anos, o PT e o entorno de Lula, em especial a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, têm buscado se aproximar de lideranças evangélicas progressistas. O encontro desta quarta-feira foi organizado por Nilza Valéria Oliveira, coordenadora-executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que já endossou a candidatura de Lula em 2022. Nilza é próxima de Janja e integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, chamado de Conselhão.
"Quando eu criei meu partido, eu passei anos tendo que explicar a cor da bandeira do meu partido. Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira. Aí depois questionaram a estrela do meu partido. Eu passei a vida inteira mostrando que os grandes navegadores da história da humanidade utilizavam a estrela como guia para atravessar os mares. Depois passei a explicar minha barba. Por que eu tinha barba? Eu falava: 'Jesus Cristo era barbudo'. Mas isso não convence aqueles que são contra, porque tem gente que não quer ser convencida", afirmou Lula.
Entre os pastores presentes, estavam quatro estrangeiros: Bronson Woods, da Igreja Batista Ebenézer, dos Estados Unidos; Timothy Welbeck, diretor do Centro Antirracismo da Temple University e pastor da Epiphany Church of Wilmington, dos EUA; além de Chelsea Waite e Izett Sama Hernandez, pastoras da Igreja Presbiteriana Reformada, em Cuba. A senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é evangélica, também foi ao encontro.
O ex-ministro Gilberto Carvalho, que é da equipe de campanha de Lula, é católico e já foi sacerdote, também esteve na reunião. Carvalho atuou nas comunidades eclesiais de base, movimento da Igreja Católica relevante nas origens do PT, entre o fim dos anos 1970 e o início da década de 1980.
Ao citar que o primeiro turno das eleições presidenciais é daqui a 19 dias, Lula voltou a dizer: "esse país vai decidir que tipo de regime ele quer, que tipo de governo ele quer, que tipo de democracia nós queremos".