Brasil: endivdamento recua em dezembro de 2025 (EXAME/Exame)
Repórter de finanças
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 13h08.
Apesar de ter registrado o maior nível da série histórica para um mês de dezembro, o endividamento das famílias brasileiras terminou 2025 em queda na comparação com os meses anteriores, movimento acompanhado por uma melhora também nos indicadores de inadimplência.
O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e reforça a leitura de que o ano terminou com algum alívio financeiro, ainda que em patamares elevados.
Ao longo de 2025, o percentual de famílias endividadas avançou e atingiu o pico histórico em outubro (79,5%). Nos dois últimos meses do ano, porém, houve desaceleração, e o indicador fechou dezembro em 78,9%, o menor nível desde julho. Ainda assim, o resultado ficou 2,3 pontos percentuais acima de dezembro de 2024, configurando o maior patamar já registrado para esse mês.
A inadimplência apresentou um comportamento mais volátil ao longo do ano. No primeiro trimestre, houve recuo, período em que o ciclo de alta da Selic ainda estava no início. A partir daí, o indicador voltou a subir e também alcançou um máximo histórico em outubro (30,5%).
Com maior necessidade de planejamento financeiro, a parcela média da renda comprometida com dívidas diminuiu ao longo do ano, especialmente no terceiro trimestre. Esse movimento ajudou a reduzir a inadimplência no fim de 2025.
Em dezembro, o percentual de famílias inadimplentes caiu para 29,4%, a menor taxa desde abril (29,1%), embora ainda ligeiramente acima do resultado de dezembro de 2024.
Também recuou o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso, que ficou em 12,6%, o menor nível desde junho (12,5%) e abaixo do encerramento de 2024.
O aumento do endividamento acompanhado de inadimplência tornou o mercado de crédito mais cauteloso em 2025. Ao longo do ano, as instituições financeiras reduziram os prazos médios das dívidas.
No último trimestre, com a melhora na percepção da inadimplência e o impulso sazonal das festas de fim de ano, esses prazos voltaram a avançar, mas permaneceram praticamente estáveis.
Em dezembro, o prazo médio das dívidas caiu para 7,1 meses, ante 7,4 meses em dezembro de 2024, indicando compromissos mais curtos e menos tempo para pagamento.
O percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque prédatado e prestações de carro e casa) seguiu em queda em dezembro (78,9%), entretanto ainda acima do resultado do ano passado.
Além da queda no endividamento, dezembro trouxe melhora na percepção das famílias sobre sua situação financeira. O percentual de consumidores que se consideram “muito endividados” recuou para 15,7%.
A pesquisa ressalta que esse é um indicador subjetivo, baseado na percepção individual dos entrevistados, e não caracteriza, por si só, uma situação formal de superendividamento.
Mesmo com sinais de alívio, alguns indicadores ainda exigem cautela. O percentual de consumidores com mais da metade da renda comprometida com dívidas subiu 0,1 ponto percentual no mês, para 18,9%, após queda em novembro. A maior parte das famílias (56,4%) segue comprometendo entre 11% e 50% da renda.
Ainda assim, o comprometimento médio da renda permaneceu em 29,5%, abaixo dos 29,8% registrados em dezembro de 2024 e próximo do menor nível desde setembro.
O cartão de crédito seguiu como a principal modalidade de endividamento, presente em 85,1% das dívidas, um aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao ano anterior e o maior patamar desde agosto de 2024. A concentração preocupa por se tratar de uma das linhas com juros mais elevados, em torno de 90,1% ao ano.
Na análise por faixa de renda, o endividamento recuou em todas as categorias em dezembro, com destaque para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos.
Já a inadimplência caiu para a maioria dos grupos, mas as famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos apresentaram a maior redução, tanto na comparação mensal quanto anual.
Esse mesmo grupo também liderou a queda no percentual de famílias sem condições de pagar dívidas em atraso, indicando maior esforço de regularização financeira. A exceção foram as famílias com renda entre 5 e 10 salários, que tiveram leve alta de 0,2 ponto percentual no mês.
De acordo com projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a tendência é de continuidade da queda do endividamento e da inadimplência no primeiro trimestre de 2026, mantendo o movimento de ajuste observado no fim de 2025.