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Crise da Enel acende alerta sobre aposentadoria de funcionários

Tentativa de retirada de patrocínio e debate sobre a concessão colocam a previdência complementar no radar

Vivest: possível fim da concessão da Enel preocupa fundo de pensão (Enel/Divulgação)

Vivest: possível fim da concessão da Enel preocupa fundo de pensão (Enel/Divulgação)

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 14h11.

Última atualização em 22 de janeiro de 2026 às 16h31.

Para além da falta de luz, os problemas operacionais da Enel podem ter reflexos sobre aposentados. A companhia italiana, que comprou a antiga Eletropaulo, em 2018, é uma das patrocinadoras de planos de previdência complementar administrados pela Vivest, maior entidade privada fechada do país, com R$ 44 bilhões sob gestão.

Planos vinculados à empresa de energia respondem por cerca de 25% dos recursos sob gestão do fundo, o que tem elevado a atenção do mercado.

Um dos planos em questão oferece aos ex-funcionários uma aposentadoria vitalícia — ou seja, o pagamento de um benefício mensal até o fim da vida. Caso o patrocínio acabe, o aporte de recursos chegaria ao fim, e os aposentados perderiam o vínculo com o plano original.

A reportagem da EXAME apurou que a própria Enel vem tentando retirar o patrocínio do plano de previdência desde 2021. Na época, a companhia utilizou como argumento a “insustentabilidade” financeira do plano, oferecendo alternativas — como a migração voluntária para outro modelo não vitalício. O número de adesões foi baixo e os aposentados se manifestaram para impedir a migração e o fim do patrocínio.

Em abril de 2024, a Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) negou o recurso da Enel, arquivando o processo administrativo e mantendo a situação atual para os beneficiários.

Fim da concessão da Enel?

Desde 2019, ano em que assumiu a concessão de energia em 23 cidades na região metropolitana de São Paulo mais a capital, a Enel soma nove multas. A mais recente, aplicada pelo Procon-SP, é de R$ 14 milhões por falhas no fornecimento de energia elétrica.

No final de 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), se reuniram para pedir a extinção do contrato com a Enel.

“Recentemente, com esses problemas operacionais, começou-se a falar de não renovação da concessão, se falou até em caducidade. Esse é o tipo de preocupação que temos hoje: dependendo do que acontecer com a Enel, como fica o plano”, diz Walter Mendes, presidente da Vivest.

Entretanto, a discussão é mais profunda. Quem decide o fim da concessão é a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nem o governo municipal nem o estadual têm poderes para tal movimento, que exige uma série de burocracias por parte da Agência.

“A gente espera que, havendo a mudança que for, seja outra concessão, ou seja vender o controle, é que se preste atenção nos compromissos que ela ainda tem com o plano de previdência. A companhia tem que dar uma continuidade ao patrocínio”, pontua Mendes.

Por outro lado, segundo o executivo, as questões relacionadas às dívidas não preocupam. Nos últimos dois anos, a Enel se capitalizou e pagou antecipadamente suas dívidas, o que é muito favorável para o plano.

“Em relação às dívidas, contamos com garantias bancárias. O passado não nos preocupa. Nossa atenção está voltada para o futuro. E esperamos que qualquer solução leve em conta os direitos dos participantes”, afirma.

Ele conclui que, no momento, não há clareza sobre o que vai acontecer. "Esperamos que ela continue normalmente, que seja renovada a concessão, porque para gente seria a melhor situação".

Em resposta às movimentações do ano passado, executivos da Enel informaram ao Ministério de Minas e Energia (MME) que a empresa não pretende vender o controle da concessão de distribuição de energia em São Paulo.

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