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Bolsa é o pior investimento do mês com queda de 12%

Dólar e fundos multimercados macro têm segunda e terceira maior alta em maio

 (EXAME.com)

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Priscila Yazbek

1 de junho de 2012, 12h03

São Paulo A Bolsa fechou o mês com o pior desempenho desde outubro de 2008, amargando uma queda de quase 12% do Ibovespa. O mau desempenho impactou de forma negativa os fundos dividendos, de ações livres, small caps e Ibovespa ativo. A maior alta do mês, com elevação de 5,82% foi o dólar, puxado principalmente pelo destaque ganho com a péssima situação na Europa e pela modesta recuperação da economia no ano passado. Seguindo o dólar, com a segunda maior alta está o fundo multimercados macro.

A queda da Bolsa decorre de uma conjunção de fatores, tais como: o agravamento da crise financeira internacional, com a possibilidade de saída da Grécia do bloco europeu e a frágil situação da Espanha; a desaceleração da China, que afeta a exportação de commodities; a desaceleração da economia nacional, com queda na projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, que passou de 3,09% para 2,99%; e a perspectiva de inflação de 5,17% para o fim do ano, acima da meta de 4,5% para este ano. Para 2013, a projeção para o IPCA permanece em 5,60%.

Mesmo com o resultado positivo, os investimentos atrelados a dólar não são muito indicados para o investidor individual. A aplicação em dólar exige um alto nível de experiência por parte do investidor para que ele saiba prever as flutuações para não ter prejuízos. Também voltado a um perfil de investidor mais experiente, por apresentar um maior nível de risco, este tipo de fundo mantém aplicações em de renda fixa, ações, derivativos e câmbio e suas estratégias de investimento são baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazo.

Veja na tabela abaixo o ranking com o desempenho das aplicações do mês:

Aplicação No mês No ano Fechamento em
Dólar comercial 5,82 7,97 31/05/2012
Fundos Multimercado Macro 1,16 8,63 25/05/2012
LTN (vencimento em 01/01/2013) 1,08% 5,18 30/05/2012
NTN-F (vencimento em 01/01/2013) 1,06% 5,13 30/05/2012
Fundos de renda fixa 0,78 4,69 25/05/2012
LFT (vencimento em 07/03/2013) 0,72 4,00 30/05/2012
Selic 0,67 3,91 30/05/2012
CDI 0,63 3,82 29/05/2012
Fundos referenciados DI 0,62 3,95 25/05/2012
NTN-B (vencimento em 15/08/2012) 0,62 3,88 30/05/2012
Fundos Multimercados Juros e Moedas 0,61 4,88 25/05/2012
Poupança 0,51 2,76 30/05/2012
Fundos Multimercado Multiestratégia 0,04 5,88 25/05/2012
Ouro 0,20 6,32 31/05/2012
Fundos de Ações - Dividendos - 6,74 6,63 25/05/2012
Fundos de Ações Livres - 7,48 2,48 25/05/2012
Fundos de Ações – Small Caps - 7,94 4,92 25/05/2012
Fundos de ações Ibovepa Ativo - 10,11 - 1,11 25/05/2012
Ibovespa -11,86 -3,99 31/05/2012

Fontes: Banco Central, BM&FBovespa e Anbima

Ricardo Martins, economista da corretora Planner, alerta que é principalmente em um momento como este de baixa da Bolsa, que o investidor não deve se desesperar para não ter prejuízos. “Não é agora que o investidor deve sair, se não ele vai entregar parte do patrimônio aplicado. Ele já entrou ciente dos riscos que ele poderia ter, agora cabe aos gestores buscar de forma muito mais minuciosa um setor que traga rendimento positivo, e eles são qualificados justamente para fazer isso”, defende.


Martins acredita que os fundos multimercados devem manter a boa performance para o próximo mês, sobretudo aqueles que sustentam na carteira aplicações em moedas estrangeiras. “Os fundos multimercados com aplicações em moedas, mesmo expostos ao euro, devem manter a performance por causa da alta do dólar”, avalia. 

O ouro, que costuma servir como proteção para investidores que querem fugir das oscilações do mercado, também não foi poupado pela alta volatilidade do mercado e fechou com um rendimento igual a zero no mês de maio.

Renda Fixa

As aplicações em renda fixa, mesmo com rendimentos abaixo de 1%, em sua grande maioria, fecham o mês de maio superando o retorno de diversos investimentos em renda variável, que sofreram com a maior volatilidade do mercado.

Os fundos de investimento em renda fixa ficaram em terceiro lugar no ranking, com rendimento de 0,78%. Segundo o economista da Planner, estes fundos devem continuar apresentando vantagens. “Os fundos de renda fixa com papéis corporativos, com bônus ou debêntures devem ter bons retornos”, acredita. 

Segundo Mônica Araújo, gestora de investimentos da corretora Ativa, muitos investidores devem se voltar aos fundos de renda fixa para evitar prejuízos. Ela defende que o momento exige maior cautela e um acompanhamento mais próximo do mercado. “A tendência é que essa volatilidade continue. O investidor deve acompanhar de perto o mercado para direcionar os investimentos. O ideal é que ele faça exatamente o que o deixar mais seguro”, explica.

A análise mais profunda vale também para a comparação entre investir na poupança ou em títulos públicos, fundos DI e CDB. Até este mês de maio, a poupança a curto prazo era mais vantajosa em alguns casos por conta da isenção do imposto de renda. A partir desta quarta-feira, 30, no entando, com a queda da Taxa Selic a 8,5% ao ano, as novas regras foram acionadas e ela passa a valer 70% da Selic, mais a Taxa Referencial.

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Já no ranking deste mês alguns investimentos em Tesouro Direto apresentaram maior rendimento do que a poupança. Com as novas regras valendo, no mês de junho os títulos públicos podem aprensentar mais vantagem ainda em alguns casos. Alguns investimentos que oferecem retornos semelhantes à poupança e também apresentam liquidez são os CDBs que remunerem acima de 90% do CDI, fundos DIs com taxa de administração inferior a 1,0% ao ano e por Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), por meio do Tesouro Direto, com taxa de administração preferencialmente igual a zero.

Veja neste link as comparações entre o rendimento da poupança e de outros investimentos em diferentes cenários.