WEG: empresa divulgou balanço do 2º trimestre de 2026 (Leandro Fonseca /Exame)
Editor de Invest
Publicado em 22 de julho de 2026 às 08h34.
A WEG (WEGE3) registrou lucro líquido de R$ 1,558 bilhão no segundo trimestre de 2026, uma queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre, houve alta de 7%. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 22.
O resultado superou as projeções do mercado. O consenso compilado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) apontava para um lucro de R$ 1,496 bilhão no trimestre. Outros indicadores também superaram as estimativas dos analistas.
A margem líquida, que mede quanto da receita se converte efetivamente em lucro, ficou em 15,4%. O indicador recuou 0,2 ponto percentual na base anual e permaneceu estável ante o trimestre anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 2,213 bilhões, também 2,1% menor que o do segundo trimestre de 2025 e 5,2% acima do primeiro trimestre deste ano. A margem Ebitda ficou em 21,8%, com recuo de 0,3 ponto percentual em um ano.
"Apresentamos mais um trimestre de margens operacionais e retorno sobre o capital investido saudáveis, mesmo em um ambiente ainda desafiador para o crescimento", afirmou a administração da fabricante de motores elétricos e equipamentos de energia na mensagem que acompanha o balanço.
A receita operacional líquida da WEG somou R$ 10,144 bilhões no trimestre, queda de 0,6% na comparação anual. O resultado combina forças opostas. No mercado interno, a receita caiu 4,9%, para R$ 3,973 bilhões, um recuo bem menor do que o mercado projetava. O Bradesco BBI, por exemplo, previa queda de 10% na receita doméstica, refletindo bases de comparação desafiadoras e o impacto dos juros elevados sobre os investimentos. A surpresa positiva veio da atividade industrial no Brasil, que impulsionou a demanda por motores elétricos e equipamentos de automação. No mercado externo, a receita cresceu 2,3% em reais, para R$ 6,171 bilhões.
Essa diferença entre os dois mercados é ampliada pelo câmbio. Medida em dólares, a receita externa avançou 14,7%, mais um trimestre de crescimento de dois dígitos. Mas, ao ser convertida para reais, essa expansão encolheu para 2,3%. O motivo é o dólar médio, que passou de R$ 5,67 no segundo trimestre de 2025 para R$ 5,05 neste ano, uma desvalorização de 10,9% frente ao real. A WEG vendeu mais no exterior, mas cada dólar faturado virou menos reais no balanço.
"No mercado externo, apresentamos crescimento consistente em dólares e em moedas locais", destacou a companhia, citando a boa demanda por equipamentos para os segmentos de óleo e gás e de ventilação e refrigeração para data centers, além do bom volume de entregas de transmissão e distribuição na América do Norte. A estratégia de produção local em mercados estratégicos é apontada pelo CEO Alberto Kuba como um dos fatores que reduzem a exposição da companhia a tensões comerciais.
No Brasil, o principal detrator foi o negócio de geração solar. "A queda na receita é fruto principalmente da continuidade do menor nível de entregas no negócio de geração solar, devido à ausência de novos projetos em 2026", explicou a administração. Do lado positivo, pesaram as entregas de projetos de transmissão e distribuição e a melhora da atividade industrial no país, que impulsionou a venda de motores elétricos de baixa tensão.
O custo dos produtos vendidos ficou em R$ 6,771 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025. A margem bruta, no entanto, caiu 0,5 ponto percentual em um ano, para 33,2%, pressionada pelo aumento no preço de matérias-primas, em especial o cobre, e pelo impacto das tarifas de importação nos Estados Unidos.
As despesas com pessoal também subiram, reflexo da estratégia de expansão da capacidade produtiva. As despesas de vendas, gerais e administrativas somaram R$ 1,265 bilhão, alta de 4,1% na base anual, e representaram 12,5% da receita, 0,6 ponto percentual acima de um ano atrás.
A WEG investiu R$ 794,9 milhões no trimestre em modernização e expansão de capacidade, sendo 44,5% no Brasil e 55,5% no exterior. Os aportes incluem a ampliação da produção de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos e o aumento de capacidade na China. A companhia também anunciou neste ano R$ 1,1 bilhão em uma nova fábrica em Guaramirim, em Santa Catarina, dedicada a máquinas elétricas de grande porte. Em pesquisa, desenvolvimento e inovação, os gastos acumulados no ano somam R$ 736,2 milhões, o equivalente a 3,8% da receita.
O retorno sobre o capital investido (ROIC) atingiu 33,6%, alta de 0,7 ponto percentual em um ano. Para a companhia, o número reforça a tese de rentabilidade "superior à média da indústria".
A geração de caixa operacional somou R$ 2,451 bilhões no primeiro semestre. A empresa encerrou junho com R$ 8,813 bilhões em disponibilidades e aplicações financeiras, contra uma dívida bruta de R$ 5,066 bilhões, da qual 62% vence no curto prazo.
Na prática, a WEG segue sem alavancagem: o caixa líquido chegou a R$ 3,741 bilhões, acima dos R$ 2,652 bilhões de dezembro de 2025 e dos R$ 3,040 bilhões de junho do ano passado.
"Apesar dos desafios no cenário global, seguimos confiantes em nosso modelo de negócio, sustentado por uma visão de longo prazo e presença global", concluiu a administração.