Títulos baratos da Apple, Amazon e Alphabet sinalizam recompra

Os títulos de empresas como Apple, Amazon e Alphabet, controladora do Google, são negociados abaixo de 75% de seu valor de face
Bank of America: Há mais de US$ 300 bilhões em títulos de empresas americanas de grau de investimento negociados com grandes descontos, e elas podem se aproveitar disso para economizar com recompras (Apple/Divulgação)
Bank of America: Há mais de US$ 300 bilhões em títulos de empresas americanas de grau de investimento negociados com grandes descontos, e elas podem se aproveitar disso para economizar com recompras (Apple/Divulgação)
Por BloombergPublicado em 23/06/2022 09:59 | Última atualização em 23/06/2022 09:59Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Há mais de US$ 300 bilhões em títulos de empresas americanas de grau de investimento negociados com grandes descontos, e elas podem se aproveitar disso para economizar com recompras, segundo o Bank of America.

Os títulos de empresas como Apple, Amazon e Alphabet, controladora do Google, são negociados abaixo de 75% de seu valor de face.

“São empresas com centenas de bilhões de dólares em caixa, que olham para seus títulos sendo negociados em níveis essencialmente de dívida de alto risco”, disseram os estrategistas de crédito do BofA Oleg Melentyev e Eric Yu em nota. “Elas estão olhando para isso e discutindo até que ponto devem aproveitar essa oportunidade rara”.

Recompras de títulos no mercado secundário não são afetadas por preocupações com recessão ou inflação e “altamente prováveis de acontecer na maioria dos cenários”, escreveram os estrategistas.

Os mercados de crédito foram atingidos este ano por taxas crescentes, saídas de fundos e temores de recessão. Os títulos corporativos norte-americanos de grau de investimento denominados em dólar foram negociados na semana passada com o maior desconto médio em relação ao valor de face desde 2009, a cerca de 91 centavos por dólar, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Para emissores com muito dinheiro que não precisam refinanciar no curto prazo, recompras fariam sentido, disse Baylor Lancaster-Samuel, vice-presidente de renda fixa da Amerant Investments.

Mas muitas empresas provavelmente adotarão uma postura cautelosa devido ao aumento da incerteza e às taxas mais altas para refinanciar, de acordo com Tom Farina, co-diretor de crédito da DWS North America.

“Se elas tivessem mais clareza, talvez essa fosse uma decisão mais fácil”, disse Farina em entrevista. “Mas acho que a clareza econômica daqui para frente é opaca.”

A Boral Finance, uma subsidiária da empresa australiana de materiais de construção Boral, na quarta-feira anunciou uma oferta de recompra de até US$ 300 milhões de sua notas com vencimento em 2028. Isso segue uma oferta pública de recompra da AT&T, a maior tomadora corporativa não financeira do mundo, no final do mês passado.

Detentores preocupados com juros em alta podem ficar felizes em se desfazer de seus títulos para evitar mais perdas.

“Para títulos com datas mais longas, você pode não querer segurar algo em queda livre”, disse Lancaster-Samuel em entrevista por telefone.