TC compra RIWeb e quer transformar jornada do investidor com empresas

Objetivo é facilitar e ampliar a comunicação da pessoa física com companhias abertas, gerando conteúdo espelhado dos sites de RI na plataforma do TC e atraindo mais investidores
Cerimônia de estreia do TC na B3 no dia 29 de julho de 2021| Foto: Cauê Diniz/B3 (Cauê Diniz/B3/Divulgação)
Cerimônia de estreia do TC na B3 no dia 29 de julho de 2021| Foto: Cauê Diniz/B3 (Cauê Diniz/B3/Divulgação)
Por Marcelo SakatePublicado em 16/09/2021 19:02 | Última atualização em 16/09/2021 19:46Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O TC (TRAD3) acaba de fechar a compra de 100% da RIWeb por 6,5 milhões de reais. A RIWeb é uma das duas grandes empresas do mercado brasileiro que fornecem tecnologia e comunicação para a área de Relações com Investidores (RI) das empresas de capital aberto: são serviços que vão da criação de sites e comunicações via e-mail até a organização de contatos, assistência e transmissão de áudio e videoconferências com investidores.

A RIWeb conta com uma carteira com mais de 80 clientes, dos quais 76 de capital aberto, além de fundos e gestoras. É uma lista que inclui grandes empresas como Itaú Unibanco (ITUB4), Magazine Luiza (MGLU3) e Embraer (EMBR3). Nos 12 meses encerrados em abril, a companhia fundada em 2009 teve um faturamento bruto de cerca de 4 milhões de reais.

"É a nossa aquisição mais importante. Queremos transformar o mercado de relações com investidores, que hoje não tem tecnologia nem inteligência de dados e não chega até o investidor pessoa física. É uma área que trabalha, basicamente, para o investidor institucional. Mas, se começássemos do zero, levaríamos muito tempo para crescer e ganhar escala", disse Pedro Albuquerque, CEO do TC, à EXAME Invest, ao explicar o racional da aquisição.

"Vamos colocar as áreas de RIs dentro do TC, apostando no nosso ecossistema para o investidor", afirmou. Segundo ele, isso significa realizar teleconferências com investidores e analistas de forma simultânea dentro do site de RI de cada empresa e no TC e realizar eventos como Investor's Day igualmente nas duas plataformas.

Esse serviço "espelhado" já deve ficar disponível para a temporada de divulgação de resultados do terceiro trimestre, a partir do mês de outubro.

É um movimento que faz parte de uma estratégia para gerar um ciclo virtuoso para o TC: investidores que são acionistas de empresas mas não estão na plataforma serão atraídos pela geração de conteúdo, ao mesmo tempo que quem já faz parte da comunidade deve aumentar o engajamento. Resultado: aumento da base e do tíquete médio.

"O investidor pessoa física tem medo de entrar em contato com a área de RI. Quando o faz, manda um e-mail e em geral ou não recebe resposta ou a informação tem baixa qualidade", afirma Albuquerque.

"Queremos ser um grande facilitador dessa comunicação. Vamos formar uma grande base de conhecimento, com perguntas frequentes dos investidores e comparação de métricas com pares listados e as companhias na bolsa."

O movimento estratégico do TC, anteriormente conhecido como TradersClub, remete ao realizado pelo Robinhood no mercado americano há cerca de um mês, com a aquisição da Say Technologies por 140 milhões de dólares.

A startup adquirida desenvolveu tecnologia para conectar investidores de varejo com as empresas nas quais eles possuem ações. Com a base que chegava a 21,3 milhões de usuários ativos mensais ao fim do segundo trimestre, o Robinhood consegue potencializar o alcance da ferramenta e se diferenciar de outras corretoras.

"Nosso plano é ser mais agressivo do que o Robinhood, usando todo o poder do social do TC, da nossa comunidade, com debates e outros instrumentos", disse Albuquerque.

"Queremos tirar as empresas do 'mar aberto' e levá-las para um ambiente puramente de investidores, sejam aqueles que já são acionistas ou os que são potenciais", disse.

O TC tem atualmente uma base com mais de 500.000 usuários. Segundo fontes de mercado, esse número pode dobrar até o fim do ano, dado o ritmo de expansão previsto para os próximos meses.

A aquisição representa uma nova frente de monetização para a companhia também no segmento B2B, por meio de contratos de médio prazo de companhias abertas com a RIWeb mas também na relação com investidores institucionais.

"Hoje muitas companhias contratam a RIWeb para cumprir ritos regulatórios. Há muito dinheiro deixado sobre a mesa. Queremos que as empresas nos contratem por causa da nossa tecnologia e da nossa capacidade de comunicação e de levar informação para toda a base de acionistas e muito mais investidores", explicou o CEO do TC.

O plano é oferecer serviços adicionais como a divulgação mais ampla de eventos das empresas (via redes sociais, notificações por push etc.) e informações sobre a base de investidores. Será possível saber, por exemplo, qual o tamanho da fatia acionária somada de investidores que acompanharam um evento.

A estrutura do TC, como estúdios de gravação e um recém-inaugurado auditório com capacidade para 50 pessoas, serão colocados à disposição das empresas, dentro da estratégia de oferecer uma proposta de valor para as companhias.

A aquisição da RIWeb acontece pouco menos de dois meses depois da estreia do TC na B3. A ação foi negociada no fechamento desta quinta-feira a 7,56 reais, com queda aproximada de 20% em relação à precificação do IPO.