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Suzano (SUZB3) sobe 4% após balanço e anúncio de redução de produção

Para analistas, a redução da produção deve ajudar a equilibrar o mercado e combater o excesso de oferta de celulose

Suzano: Companhia vai reduzir produção de celulose em 3,5% nos próximos 12 meses (SOPA Images/Getty Images)

Suzano: Companhia vai reduzir produção de celulose em 3,5% nos próximos 12 meses (SOPA Images/Getty Images)

Juliana Alves
Juliana Alves

Repórter de mercados

Publicado em 7 de agosto de 2025 às 14h37.

Última atualização em 7 de agosto de 2025 às 16h06.

A Suzano (SUZB3) se destaca entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira, 7, após divulgar seus resultados do segundo trimestre, que atenderam às expectativas do mercado e anunciar a redução de produção, o que foi visto como uma decisão "disciplinada" pelos analistas, dentro do cenário persistente de preços mais baixos da celulose. Por volta das 14h20, as ações da companhia avançavam 4,7%.

O EBITDA  da Suzano ficou em R$ 6,1 bilhões, um recuo de 3% no comparativo anual, mas um aumento de 25% na comparação com o trimestre anterior e 2% acima da previsão do consenso da Bloomberg. O pequeno superávit foi impulsionado principalmente por um desempenho melhor do que o esperado nos custos da celulose.

Devido às condições desafiadoras do mercado, a Suzano anunciou que reduzirá sua produção de celulose em 3,5% nos próximos 12 meses, como forma de combater o excesso de oferta de celulose. Essa decisão foi vista como positiva pelos analistas da XP, que destacaram a abordagem disciplinada de produção da empresa. No entanto, a expectativa de preços da celulose foi mantida em torno de R$ 620 por tonelada para o segundo semestre de 2025.

A empresa também anunciou um aumento de 7% na previsão de capex para 2025, de R$ 12,4 bilhões para R$ 13,3 bilhões, devido à troca de ativos biológicos com a Eldorado no valor de R$ 1,3 bilhão.

Os volumes de vendas de celulose atingiram 3,3 milhões de toneladas no segundo trimestre, com um aumento de 23% em relação ao trimestre anterior e 2% acima do esperado pelo BTG Pactual. A Genial destacou que as vendas mais fortes foram uma boa notícia, "particularmente na Ásia e na América do Norte, que absorveram volumes que tinham sido retidos no começo do trimestre, com pedidos adiados por conta da incerteza geopolítica pós Liberation Day".

No lado dos custos, o custo em caixa (ex-paradas) caiu 3% frente ao último trimestre, para R$ 832 a tonelada, ajudado pela valorização do real em relação ao dólar, além da redução nos custos de insumos. Assim, o EBITDA ajustado de celulose alcançou R$ 5,37 bilhões, um crescimento de 26% no trimestre, mas um recuo de 3% na comparação anual, com o EBITDA por tonelada aumentando 3% na comparação trimestral.

Divisão de papel e performance positiva

A divisão de papel da Suzano apresentou um aumento de 5% nos volumes de vendas no comparativo trimestral, atingindo 411 mil toneladas, um crescimento de 24% na comparação anual.

As vendas externas representaram 43% do volume (mesmo percentual do trimestre passado), devido ao aumento nas exportações das operações brasileiras, que compensaram a redução nas vendas da Suzano Packaging, afetadas pelas paradas em abril.

A receita líquida do segmento de papel aumentou 2% trimestralmente, para R$ 3 bilhões, impulsionada por maiores volumes de vendas no mercado doméstico e internacional. A margem EBITDA foi de 24%, contra 21% no trimestre anterior, com um aumento de 16% no EBITDA ajustado para R$ 709 milhões.

Aumento da alavancagem

A XP notou um leve aumento da alavancagem no segundo trimestre, com a relação dívida líquida/EBITDA em 3,1x (em dólares), comparado a 3 vezes no primeiro trimestre deste ano. Esse aumento foi devido ao preço mais fraco da celulose durante o primeiro semestre de 2025, com os preços realizados em US$ 550 por tonelada contra US$ 700 por tonelada no ano anterior.

Os analistas do BTG esperam que a alavancagem continue a diminuir gradualmente. “Embora reconheçamos a pressão contínua no mercado de celulose, continuamos a ver a história de desalavancagem da Suzano como intacta, sustentada pelo crescimento dos volumes e forte desempenho nos custos”, avaliam Leonardo Correa e Marcelo Arazi.

O BTG Pactual mantém sua recomendação de compra para as ações da Suzano, com preço-alvo de R$ 73. Os analistas defendem uma reavaliação gradual, à medida que o mercado precifica o aumento da produção do Projeto Cerrado e a disciplina contínua na alocação de capital. Segundo o banco, apesar dos desafios no mercado de celulose, a Suzano é vista como uma "vencedora relativa" das empresas de commodities, devido à sua forte posição na curva de custos e uma exposição relativamente menor à China.

A XP também mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$92 e espera que os resultados no terceiro trimestre sejam mais fracos, devido à queda nos preços da celulose e à valorização do real, mas acredita que os volumes de vendas de celulose devem aumentar devido à melhor sazonalidade.

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