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Queda dos metais pressiona bolsas e testa apetite ao risco

Queda histórica dos metais pressiona bolsas globais, fortalece o dólar e expõe efeito dominó de posições alavancadas

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 05h22.

Os mercados globais iniciaram a semana sob forte aversão ao risco com os preços do ouro e da prata em forte queda, o que desencadeou uma reversão abrupta em posições especulativas acumuladas nos últimos meses.

A prata chegou a recuar cerca de 30% em uma única sessão, no pior desempenho diário desde março de 1980. O movimento provocou liquidações em cadeia, atingindo investidores de varejo, fundos alavancados, estratégias quantitativas e operações de momentum.

O ouro à vista caiu até 9%, registrando o pior dia desde 1983. Nesta segunda-feira, 2, o metal operava em torno de US$ 4.538 por onça, após ter rompido o patamar de US$ 5.000 na sexta-feira anterior.

Diante da volatilidade extrema, a CME Group elevou as exigências de margem em contratos de metais. As margens do ouro na COMEX subiram de 6% para 8%, enquanto as da prata avançaram de 11% para 15%, indicando dificuldades de investidores para honrar chamadas de margem.

Operadores relataram que investidores chineses enfrentaram obstáculos para liquidar posições em fundos futuros de prata, ampliando a pressão vendedora e espalhando perdas para outros ativos.

Fed, dólar forte e reprecificação de risco

O gatilho do movimento foi a nomeação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve (Fed), após indicação do presidente Donald Trump. Conhecido por defender uma política monetária mais restritiva, Warsh reforçou a percepção de juros mais altos por mais tempo.

O dólar se valorizou cerca de 0,8% desde a última quinta-feira, reduzindo a atratividade dos metais precificados em moeda americana e elevando o custo de oportunidade de ativos sem rendimento, como o ouro, segundo a Reuters.

Nem mesmo os Treasuries e o próprio ouro receberam fluxo de proteção, sinalizando enfraquecimento da confiança nos ativos tradicionais de refúgio.

Impacto nas bolsas

A correção nos metais contaminou os mercados acionários. As bolsas asiáticas operaram em queda generalizada, com destaque para a Coreia do Sul, onde o índice recuou 5,5%. Futuros de Wall Street caíam cerca de 1,2%, enquanto os europeus registravam baixas entre 0,6% e 1%.

O ambiente eleva a pressão sobre a temporada de balanços. Aproximadamente 25% do S&P 500 e 30% do valor de mercado do Euro STOXX divulgam resultados nesta semana. Até agora, o lucro por ação do S&P 500 cresce 11% na comparação anual, acima da projeção de 7%.

O foco dos investidores se volta às grandes empresas de tecnologia, como Alphabet, Amazon e AMD, após a reação negativa aos resultados da Microsoft. Estimativas apontam que os investimentos em capital dos grandes hyperscalers de inteligência artificial devem alcançar US$ 561 bilhões neste ano, alta de 38% sobre 2025.

Apesar da correção, ouro e prata ainda acumulam ganhos no ano, de cerca de 8% e 16%, respectivamente. A curto prazo, a volatilidade permanece elevada, enquanto o mercado aguarda sinais mais claros sobre a condução da política monetária sob a futura liderança do Fed.

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