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Ouro recua com pressão do dólar e juros dos EUA

Apesar do momento de cautela para o metal, especialistas do setor mantém uma visão construtiva no longo prazo no geral

Ouro: metal teve valorização de 64% em 2025. Queda atual pode ser correção também. (Freepik)

Ouro: metal teve valorização de 64% em 2025. Queda atual pode ser correção também. (Freepik)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 24 de março de 2026 às 06h49.

O ouro opera em queda nesta terça-feira, 24, em uma fase conhecida como "bear market" — período prolongado de baixa, acompanhado de certo pessimismo.

Os investidores passaram a liquidar posições do metal com a força do dólar e altos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos (EUA), denominados Treasuries.

Negociado à vista, o valor da onça caiu 2% antes de estabilizarem para US$ 4.404,79 hoje, enquanto os contratos futuros para entrega em abril estavam sendo negociados a US$ 4.358,80.

O preço do ouro à vista acumula perdas de 21% desde de sua máxima histórica no final de janeiro, quando custava US$ 5.594,82. Somente na última semana, o preço caiu 10%, no pior desempenho desde setembro.

Em contrapartida, o índice do dólar (DXY) — responsável por medir sua força frente a outras seis moedas — subia 0,5% hoje e 3% desde o início do conflito no Oriente Médio, segundo dados coletados pela CNBC.

As duas cotações andam, de certa forma, interligadas, pois o dólar mais forte reduz o apelo pelo ouro, que é justamente cotado na moeda estadunidense. Assim, fica mais caro comprar ouro.

Padrão é visto em tensões

O estrategista sênior de investimentos do Standard Chartered, Rajat Bhattacharya, observou junto à CNBC que, apesar do ouro ter se valorizado como ativo de proteção no início da guerra no Irã, os preços passaram a recuar.

"Observamos esse padrão se repetir frequentemente durante períodos de maior tensão no mercado, à medida que os investidores levantam dinheiro para pagar chamadas de margem ou simplesmente realizar lucros quando possível", acrescentou.

Já o rendimento dos Treasuries de dez anos subiu cerca de cinco pontos-base, atingindo 4,384% na terça. Isso porque a possível inflação persistente reduz a probabilidade de cortes nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed).

Correção natural de preços?

Outros analistas pontuam, ainda, que houve uma correção natural dos preços do ouro, que subiu mais de 64% no ano passado, devido ao aumento das incertezas geopolíticas e à demanda estrutural.

O analista de mercado da eToro, Zavier Wong, atribui isso aos déficits fiscais, à fragmentação geopolítica e à diversificação discreta das reservas em dólares por parte dos bancos centrais.

"Após uma valorização como essa, algum desmonte de posições era inevitável", segundo Wong.

"O ouro tem sido um dos ativos com melhor desempenho no último ano e, quando os mercados ficam instáveis, fundos alavancados e investidores institucionais tendem a reduzir sua exposição", complementou à CNBC.

Apesar do cenário, especialistas do setor mantém uma visão construtiva no longo prazo para o ouro.

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