Brava Energia: Ecopetrol esbarra em demandas da CVM
Editor de Invest
Publicado em 16 de junho de 2026 às 08h02.
A Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela colombiana Ecopetrol para assumir o controle da Brava Energia (BRAV3) está suspensa, sem data para retomada. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exigiu ajustes ao edital da oferta e, após ratificar seu entendimento pela segunda vez, levou a ofertante a recorrer ao Colegiado da CVM, paralisando o processo até uma decisão final do órgão regulador.
O prazo de 15 dias que o conselho de administração da Brava tinha para emitir seu parecer sobre a operação também está suspenso, aguardando a publicação de um aditamento ao edital.
A operação está estruturada em duas partes e a primeira já estava resolvida. Em 23 de abril , a Ecopetrol fechou um acordo privado com três grandes fundos acionistas da Brava Energia — Jive, Yellowstone e o grupo Quantum/Somah — para comprar cerca de 26% das ações a R$ 24 cada. Esse contrato é irrevogável.
A segunda parte é a OPA em si. Para atingir os 51% necessários ao controle, a Ecopetrol precisava de mais 25% das ações e passou a oferecer R$ 23 por papel a qualquer acionista que quisesse vender — um prêmio de 27,8% sobre a média ponderada dos últimos 90 pregões anteriores ao anúncio.
O leilão estava agendado para o próximo dia 25 de junho, com pagamento previsto para 7 de julho. Se não houvesse adesões suficientes para completar os 51%, toda a operação cairia. A Ecopetrol não assumiria o controle e o acordo privado com os fundos também não se concretizaria.
Com a operação, a Brava passaria a ser controlada indiretamente pelo governo colombiano, já que a Ecopetrol tem 88% de seu capital nas mãos do Estado. Seria uma mudança estrutural relevante para uma empresa que hoje não tem um dono definido. Na prática, decisões estratégicas como investimentos, dividendos e escolha de executivos passariam a ter a influência de uma estatal estrangeira.
A Ecopetrol sinalizou que pretende manter a Brava listada na B3 e no Novo Mercado por pelo menos um ano, sem cancelar o registro da companhia.
Do ponto de vista operacional, segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), a colombiana quer aplicar técnicas avançadas de recuperação de petróleo nos campos maduros da Brava — área em que tem experiência consolidada na Colômbia — e potencialmente reduzir o custo da dívida da empresa, aproveitando seu perfil de crédito mais robusto.
O complexo industrial de Guamaré, no Rio Grande do Norte, que inclui refinaria, unidades de processamento de gás e terminal aquaviário, deve permanecer como ativo estratégico central.
Para o BTG, a discussão sobre preço justo ficava em segundo plano diante de uma janela de arbitragem expressiva. Com as ações sendo negociadas a cerca de R$ 19,93 e a Ecopetrol oferecendo R$ 23, o banco estimava retorno anualizado de 68% para quem participasse do leilão.
A ressalva era a estrutura parcial da oferta. Em caso de grande adesão, cada acionista conseguiria vender apenas uma fração de suas posições. A estimativa do BTG era de 40% a 45% do total, pois acionistas como o Bradesco provavelmente não adeririam.
Em 8 de junho, a CVM comunicou exigências ao edital da OPA. Em razão disso, a B3 autorizou, em caráter extraordinário, a suspensão do prazo de 15 dias previsto no Regulamento de Listagem do Novo Mercado para que o conselho de Aadministração da Brava divulgasse seu parecer fundamentado sobre a operação.
O prazo ficaria suspenso até a publicação de um aditamento ao edital, e o parecer deveria ser divulgado com pelo menos 5 dias úteis de antecedência em relação ao leilão.
A CVM enviou novo ofício à Ecopetrol ratificando seu entendimento sobre a necessidade de ajustes ao edital. A ofertante, discordando das determinações da área técnica do regulador, anunciou que apresentará recurso ao Colegiado da CVM com a máxima celeridade. Com isso, a OPA está formalmente suspensa desde o dia 15 de junho, sem data definida para retomada, dependendo exclusivamente da decisão final do Colegiado.
Em comunicado ao mercado, a Brava Energia informou que a Ecopetrol afirmou estar confiante de que a oferta será autorizada a prosseguir nos termos originalmente propostos e comprometeu-se a comunicar qualquer desenvolvimento relevante assim que ocorrer.
O Conselho de Administração da Brava ainda não divulgou seu parecer formal sobre os termos da oferta, etapa que segue suspensa até a publicação do aditamento ao edital.