Tesla: IA e robotáxis estão no radar dos investidores (Tesla/Divulgação)
Repórter
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 05h51.
Se anos atrás o foco de Elon Musk eram os carros elétricos da Tesla (TSLA), nos últimos tempos ele parece ter mudado de visão. A fusão entre SpaceX e xAI, oficializada nesta semana, sinaliza uma reorientação estratégica clara em direção à inteligência artificial e à infraestrutura espacial, deixando a montadora em posição secundária dentro do conglomerado controlado pelo empresário.
A integração cria uma empresa avaliada em cerca de US$ 1,2 trilhão, com a SpaceX estimada em US$ 1 trilhão e a xAI em aproximadamente US$ 250 bilhões. O movimento ocorre às vésperas do IPO mais aguardado da década e não inclui formalmente a Tesla, embora analistas vejam a operação como um passo que pode redefinir o papel da companhia no ecossistema Musk.
Após o anúncio da fusão entre SpaceX e xAI, as ações da Tesla fecharam em queda de 2%. A Tesla ficou fora da fusão, e o mercado já vinha ajustando preços nos dias anteriores.
No acumulado da semana, o comportamento do papel revela essa assimilação gradual: alta de 1,19% em 30 de janeiro, seguida por queda de 4,85% em 29 de janeiro, recuos adicionais nos dias 27 e 28, e estabilização no fechamento de segunda-feira, 2.
Analistas avaliam que o movimento reflete um padrão de entusiasmo inicial com rumores de consolidação, correção acentuada quando ficou evidente que a Tesla não faria parte da nova estrutura e, por fim, acomodação dos preços.
A ausência da Tesla no acordo provocou reação negativa entre investidores. Analistas avaliam que o mercado passou a precificar o risco de a montadora deixar de ser prioridade estratégica, apesar de seu valor de mercado estimado em US$ 1,65 trilhão.
Relatos de mercado indicam preocupação com a possibilidade de a Tesla perder relevância no grupo, enquanto capital, atenção executiva e narrativa de crescimento se concentram na combinação entre espaço e IA.
A principal preocupação envolve a alocação de recursos.
A xAI consome cerca de US$ 1 bilhão por mês, enquanto a Starlink, braço da SpaceX, acaba de atingir lucratividade. Analistas alertam que o fluxo de caixa gerado pela infraestrutura espacial pode se tornar a principal fonte de financiamento da operação de IA.
Nesse cenário, a Tesla enfrenta desafios próprios. A empresa anunciou cortes de produção, redução do portfólio com o fim dos modelos S e X e uma desaceleração da demanda global por veículos elétricos, ao mesmo tempo em que redireciona investimentos para robótica humanoide.
Analistas apontam que a consolidação da xAI como principal braço de inteligência artificial de Musk pode rebaixar a Tesla à condição de cliente dessa tecnologia, e não de desenvolvedora central. A estrutura amplia potenciais conflitos de interesse, dado o controle concentrado do empresário sobre empresas com estratégias distintas.
Há críticas recorrentes à governança da Tesla. Investidores afirmam que o conselho não impõe limites claros à dispersão de foco do CEO, mesmo diante de pressões competitivas, regulatórias e operacionais.
Decisões recentes reforçam a percepção de mudança estrutural. A descontinuação de modelos tradicionais para liberar espaço industrial a projetos de robôs humanoides indica uma transição acelerada da Tesla para uma tese baseada em IA e automação.
Com a fusão entre SpaceX e xAI, analistas avaliam que a Tesla passa a depender cada vez mais de promessas tecnológicas de longo prazo, enquanto projetos de retorno imediato perdem protagonismo.
Outro fator destacado é o impacto reputacional. Analistas observam que a atuação pública de Musk e sua associação direta com a plataforma X podem afastar consumidores historicamente ligados ao mercado de veículos elétricos, ampliando riscos para a marca Tesla.
O consenso do mercado é que a consolidação entre SpaceX e xAI redefine as prioridades do homem mais rico do mundo. Nesse novo arranjo, a Tesla deixa de ser o eixo central do império e passa a operar em um ambiente de maior incerteza estratégica, enquanto IA e espaço se tornam os vetores principais de crescimento e ambição do empresário.