Salvaguarda da China: O Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa; o excedente pagará uma sobretaxa de 55%. (Ernesto Reghran/Pulsar Imagens/Divulgação)
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 11h57.
Última atualização em 2 de janeiro de 2026 às 13h51.
Nesta sexta-feira, 2, as ações da Minerva (BEEF3) alcançaram uma queda de superior a 6%, enquanto os papéis da MBRF (MBRF3) chegaram a cair 4,55%, estando entre as maiores baixas do Ibovespa no primeiro pregão do ano.
O movimento ocorre após a China anunciar, na quarta-feira, 31, a adoção de uma salvaguarda comercial que impõe uma cota global de 2,7 milhões de toneladas por ano — volume inferior às 3 milhões estimadas para 2025. O Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas sem tarifa. O excedente pagará uma sobretaxa de 55%.
A medida representa uma redução de quase 600 mil toneladas em relação ao volume exportado à China em 2025, quando o país embarcou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina ao destino asiático, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Isso correspondeu a 48,3% de todo o volume exportado pelo Brasil no ano passado.
Com a limitação, aproximadamente 5% da produção brasileira precisará ser redirecionada para outros mercados, o que pode pressionar os preços pagos aos frigoríficos, segundo analistas do setor.
“O desafio não é redirecionar os volumes, mas encontrar mercados dispostos a pagar o que a China paga por cortes específicos do Brasil”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual, em relatório.
A Abrafrigo (Associação Brasileira dos Frigoríficos) estima que a medida possa gerar uma perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026, considerando a diferença de valor agregado entre os embarques para a China e outros mercados.
Segundo a associação, a decisão de Pequim está ligada a uma estratégia de fortalecimento da cadeia de produção interna, diante da alta do consumo local.
Nos últimos 15 anos, o país asiático mais que dobrou sua demanda por carne bovina, atingindo quase 12 milhões de toneladas em 2025 — crescimento sustentado principalmente por importações.