Minério de ferro dispara 8,51% no pós-mercado na China

A alta foi provocada pela redução do estoque de aço, que levaria para uma maior demanda de minério de ferro.
Estoque de minério de ferro (Marcelo Prates/Exame)
Estoque de minério de ferro (Marcelo Prates/Exame)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 22/07/2022 às 12:48.

Última atualização em 22/07/2022 às 15:15.

O minério de ferro disparou 8,51% nesta sexta-feira, 21, nas negociações pós-mercado na Bolsa de Valores de Dalian, na China.

A alta foi provocada pela redução do estoque de aço, que levaria para uma maior demanda de minério de ferro.

Na Bolsa de Cingapura, o minério de ferro voltou a ultrapassar os US$ 100, após o corte das perspectivas de produção em 2022 divulgado pela Vale (VALE3).

Os estoques de vergalhão, fio-máquina, bobinas laminadas a quente, bobinas laminadas a frio e chapas grossas médias detidos pelas 184 siderúrgicas chinesas regularmente pesquisadas pela consultoria Mysteel caíram 6,8% na semana entre 14 e 20 de julho, chegando em 5,7 milhões de toneladas. Esse foi o menor nível em quase seis meses.

Além disso, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças, a China estuda relaxar restrições de mobilidade.

O relaxamento estaria em linha com mensagem do premie, Li Keqiang essa semana de “equilibrar os impactos econômicos e sociais da doença” além de “constantemente aprimorar a resposta ao Covid-19”.

Minério de ferro pode subir ainda mais com reabertura da China

Segundo Bruna Marcelino, estrategista-chefe da Necton, uma reabertura da China poderia impulsionar as commodities e, junto com elas, o Ibovespa.

Bruna Marcelino, economista-chefe da Necton

Bruna Marcelino, estrategista-chefe da Necton (EXAME/Exame)

“O dilema do governo chinês é manter a política de 'Covid zero' e com isso, impactar fortemente a economia ou fazer flexibilização e reabertura para salvar a meta do PIB este ano”, explica à EXAME Invest a economista.

Além disso, na contramão do mercado, a China está com inflação controlada.

Na semana passada, o CPI (índice de inflação) da China de junho registrou uma inflação de apenas 2,5% no acumulado dos últimos 12 meses.

"O que tem atrapalhado o gigante asiático são os constantes lockdowns na tentativa de diminuir os casos de coronavírus. Porém, mesmo com a política de tolerância zero com a doença, os dirigentes do governo chinês seguem reafirmando o apoio à economia. A expectativa é que se a China levar adiante uma reabertura total, haverá uma forte recuperação das ações chinesas e uma alta também das commodities, como o minério de ferro", explica Bruna.