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Microsoft tem maior queda em seis anos após gastos recordes em IA

A companhia divulgou em seus balanço do 4° trimestre de 2025 um crescimento mais lento nas vendas de serviços em nuvem, o que também alimentou preocupação dos investidores sobre o retorno desses investimentos

Tombo da Microsoft: papéis registram queda de mais de 11%, para US$ 429,24, o maior recuo intradiário desde março de 2020 (Getty Images)

Tombo da Microsoft: papéis registram queda de mais de 11%, para US$ 429,24, o maior recuo intradiário desde março de 2020 (Getty Images)

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 15h01.

Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 15h03.

As ações da Microsoft registram nesta quinta-feira, 29, a maior queda em quase seis anos, após a empresa divulgar gastos recordes e um crescimento mais lento nas vendas de serviços em nuvem em seu balanço do 4° trimestre de 2025, publicado na noite de quarta, 28.

Os resultados reacenderam as preocupações dos investidores sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA).

Os papéis registram queda de mais de 11%, para US$ 429,24, o maior recuo intradiário desde março de 2020. A reação negativa veio apesar de a companhia ter superado as expectativas de receita e lucro no trimestre.

No trimestre fiscal encerrado em 31 de dezembro, a gigante do software registrou lucro ajustado de US$ 4,14 por ação, acima da projeção de US$ 3,97, segundo consenso da plataforma LSEG. A receita somou US$ 81,27 bilhões, superando a estimativa de US$ 80,27 bilhões e representando um crescimento anual de 17%.

O lucro líquido alcançou US$ 38,46 bilhões, ou US$ 5,16 por ação, um salto expressivo em relação aos US$ 24,11 bilhões, ou US$ 3,23 por ação, registrados no mesmo período do ano anterior.

Parte desse desempenho foi impulsionada pelos ganhos com o investimento na OpenAI, que adicionaram US$ 1,02 ao lucro por ação. Nos números ajustados, a Microsoft exclui o impacto direto desses investimentos.

Apesar dos resultados positivos, o mercado reagiu com cautela à performance da divisão de nuvem. A receita do Azure e de outros serviços em nuvem cresceu 39%, levemente abaixo dos 40% registrados no trimestre anterior e em linha com as projeções dos analistas.

Ainda assim, o segmento de Nuvem Inteligente, que inclui o Azure, gerou US$ 32,91 bilhões em receita — alta de quase 29% e acima do consenso de US$ 32,40 bilhões.

A divisão de Produtividade e Processos de Negócios, que engloba Office, Dynamics e LinkedIn, também teve desempenho sólido, com receita de US$ 34,12 bilhões, avanço de cerca de 16% na comparação anual.

Já o segmento de Computação Mais Pessoal, que inclui Windows, Xbox, Surface e Bing, somou US$ 14,25 bilhões, queda de aproximadamente 3% e abaixo das expectativas do mercado, mesmo com sinais de recuperação nas vendas globais de PCs.

O principal ponto de atenção do balanço foi o nível de investimentos. Os gastos de capital e arrendamentos financeiros totalizaram US$ 37,5 bilhões no trimestre, um aumento de 66% em relação ao ano anterior e acima das previsões dos analistas.

A Microsoft vem ampliando agressivamente sua capacidade de data centers, com foco em chips especializados para modelos generativos de IA, além de contratos de longo prazo com fornecedores como CoreWeave e Nebius.

Esses investimentos também se refletem no forte crescimento das reservas comerciais. A obrigação de desempenho comercial remanescente — métrica que indica receitas contratadas ainda não reconhecidas — atingiu US$ 625 bilhões ao fim do ano, alta de cerca de 110%.

Desse total, 45% estão vinculados à OpenAI, que assumiu um compromisso de US$ 250 bilhões com a Microsoft durante o trimestre, após sua reestruturação em uma empresa de benefício público.

Investidores questionam retorno dos aportes em IA

Ainda assim, investidores questionam o prazo de retorno desses aportes bilionários. Nos últimos três meses, as ações da Microsoft acumulam queda de cerca de 11%, enquanto o S&P 500 avançou 1%.

A leitura do mercado é que o avanço da IA generativa pode pressionar margens no curto prazo e até desafiar o crescimento do software tradicional, principal motor histórico da companhia.

"Uma das principais preocupações dos investidores é que o investimento em bens de capital está crescendo mais rápido do que o esperado, enquanto o Azure cresce um pouco mais devagar", afirmou Keith Weiss, analista do Morgan Stanley, durante teleconferência com analistas, de acordo com informações da Bloomberg.

Segundo o analista, o mercado teme que o retorno desses investimentos leve mais tempo do que o inicialmente previsto.

A diretora financeira da Microsoft, Amy Hood, afirmou que parte relevante da nova capacidade de nuvem está sendo utilizada internamente, impulsionando produtos como o Copilot. Segundo a executiva, caso toda a capacidade tivesse sido direcionada ao Azure, as taxas de crescimento da divisão teriam sido significativamente maiores.

Big techs pressionam bolsas de NY

A Microsoft foi uma das primeira entre as grandes empresas globais de computação em nuvem a divulgar seus resultados neste trimestre. A Alphabet apresenta seus números em 4 de fevereiro, seguida pela Amazon.

Já a Meta, que também divulgou balanço nesta quarta, já sinalizou um aumento ainda mais agressivo dos investimentos em IA — estratégia que, até aqui, foi melhor recebida pelo mercado, com ação da empresa subindo mais de 9% na bolsa de Nasdaq.

Por outro lado, o tombo da Microsoft e a queda de outras big techs têm pressionado os principais índices acionários de Wall Street.

Perto das 15h, o Dow Jones caía 0,34%, o S&P 500 recuava 0,90% e o Nasdaq ampliava as perdas, com queda de 1,67%, pressionado sobretudo pelo setor.

As ações da Microsoft (MSFT) lideravam as perdas, com queda de mais de 11%, enquanto a Tesla (TSLA) recuava 2,47% e Apple (AAPL) subia 0,16% antes da divulgação de seus resultados.

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